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O dragão à espreita

por Redação Carta Capital — publicado 08/02/2013 09h55, última modificação 06/06/2015 18h42
A inflação preocupa a equipe econômica, que teme a alta dos juros como remédio

Até os economistas mais heterodoxos da Esplanada dos Ministérios em Brasília andam preocupados. O motivo é o comportamento da inflação ao longo deste ano. O ponto decisivo não tem a ver, contudo, com a alta dos alimentos, apesar dos cinco anos seguidos de alta média de 10%. No Recife, por exemplo, a cesta básica ficou 15,3% mais cara em 2012. Em São Paulo, o aumento foi de 10%. A escalada do preço dos serviços é a novidade a desagradar à equipe econômica. Ciente dos riscos embutidos, o receio dos economistas não ortodoxos é de que o Banco Central tenha uma recaída e volte a aumentar a taxa básica de juros.

Nestes momentos, a orientação ideológica monetarista recomenda a alta da Selic (até o limite politicamente sustentável) com o intuito de desestimular o consumo, o investimento e, ao cabo, conter o ímpeto do dragão inflacionário. No mercado financeiro, a torcida é para que esse movimento ocorra ainda no fim deste ano, mais tardar no início de 2014. Para desfazer o cenário nebuloso, o governo federal saiu a campo. Na terça-feira 5, a presidenta Dilma Rousseff anunciou que o governo pretende eliminar os impostos da cesta básica. O maior vilão dos alimentos, porém, é o ICMS. Brasília garantiu: não faltarão recursos para financiar a produção agrícola. “Se gastarem mais dinheiro, terá mais. O que gastarem, nós cobrimos”, afirmou Dilma. Isso servirá para contrabalançar o fato de o Ministério da Agricultura ter se descuidado dos estoques reguladores, o que abre margem para mais inflação.

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