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O comércio de alimentos

por Rui Daher publicado 30/08/2013 11h19
Noves fora clima, na safra 2013/14, a agropecuária poderá correr para o abraço. Inclua-se a fruticultura do Vale do São Francisco entre as citadas

O Mercado do Produtor, em Juazeiro, Bahia, é considerado o maior centro de abastecimento de alimentos do Nordeste. No conceito é um CEAGESP, como o gigante de São Paulo; na feição, reproduz exatamente o que é o Brasil. Se organizar estraga, e o usuário não se acostuma.

Uma miríade de caminhões de todos os tamanhos, veículos pequenos de passeio e carga, camelôs, barracas, pilhas de melões e abóboras no caminho, caixotes jogados, lanchonetes, carrinhos com alto falantes mandando baião.

Parece o caos. Não é. Tudo se acerta na busca de fazer comércio de alimentos.

E que ninguém se amofine ao padecer horas no tráfego interno em ruas estreitas. O corso vegetal permite parar no meio da rua e comprar sem limite do tempo para pechincha.

Quando a prefeitura proibiu a tração animal, muitos reclamaram. Os jegues foram afastados, o que os deixou livres de ouvirem o pagode de ROBY$$ON, na exata escrita dos outdoors espalhados pelo Vale do Velho Chico.

Nesta época, o rio está com as águas verdinhas. A seca prolongada o embeleza e melhora a qualidade da uva. Castiga, no entanto, a vastidão do semiárido.

No caminho para o aeroporto de Petrolina (PE), paro no restaurante Panela de Barro, onde almoço um bode com alma de carneiro e contribuo para a construção da igreja de Nego, o garçom paraense. A Irmandade dos Alcoólatras, Fumantes e Raparigueiros.

Confesso no preâmbulo o papo de um paulistano que sempre se encantou com o Nordeste descrito por Luís da Câmara Cascudo (Natal, 1898-1986).

Pra valer mesmo, o povo de lá quer saber é de outro verdinho. O da moeda norte-americana. Ela fica, vai ou volta? Faço abrirem sorrisos largos quando respondo que se não for pelo menos fica.

Apesar de aplicarem alta tecnologia em suas lavouras, a valorização do real fez perderem competitividade na exportação. Fato que a crise econômica mundial ajudou a piorar.

Parte da salvação veio do aumento do consumo de frutas no mercado interno. Ainda assim ficou faltando fôlego para mais expansão.

Tenho pouca dúvida de que tudo o que o governo queria é que o dólar chegasse a R$ 2,40 e aí se estabilizasse. A puxada veio de fora, atingiu todas as moedas e nossos leilões e reservas têm como segurar a cotação.

Como escrevi na última coluna, noves fora clima, na safra 2013/14, a agropecuária poderá correr para o abraço. Inclua-se a fruticultura do Vale do São Francisco entre as culturas citadas.

Está tudo bem, então? Está. Não será isso, no entanto, o que nos relatarão as folhas e telas da Federação de Corporações a que deram o bonito nome de Brasil.

A começar pelo aumento nos preços dos insumos, sobretudo os importados, que fará o produtor perder rentabilidade.

Em fevereiro de 2012, o dólar fechou abaixo de R$ 1,70. Já estivera abaixo disso. Naquelas épocas, por acaso, quanto o prezado agricultor aí de SINOP (MT) pagava pelo adubo para soja? Na safrinha de milho, Toledo (PR) registrava quanto para o saco de sementes? Mais baratos estavam os agrotóxicos, em Barreiras (BA)?

Tem mais: segundo as entidades do setor de fertilizantes, entre janeiro e julho deste ano, as entregas cresceram 5,5%, denotando antecipação de compras. Ponto para os agricultores previdentes. As importações de adubos aumentaram 13,2%. Ponto para os fabricantes previdentes.

Nas revendas por mim visitadas, percebe-se o mesmo em relação a vários outros insumos.

E isso não ocorreu somente pela perspectiva da desvalorização do real, mas pelos perrengues de eventual escassez e da logística perversa que penaliza a agropecuária.

Mais ainda: o câmbio influencia o preço total do produto agrícola e apenas parte dos seus custos.

E, não fosse isso suficiente, bastaria que os agricultores pesquisassem e iriam encontrar no mercado vários insumos nutricionais e fitossanitários, de custos muito menores, capazes de substituir grossas fatias de aplicação de agroquímicos e manter os mesmos níveis de produtividade.

Volto ao assunto.

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