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O cenário para o segundo semestre

por Luis Nassif publicado 02/08/2013 16h30
Apesar de visões otimistas e pessimistas, é provável que não haja quedas drásticas no nível de emprego e contas externas ainda sejam financiadas pela entrada de recursos
Flickr / Chico Santiago / Pref.Olinda
carteira de trabalho

Nível de emprego não deve apresentar queda significativa

Os analistas estratégicos costumam montar seus cenários futuros através da combinação de três cenários distintos em campos diferentes. Definido o modelo e as combinações, confere-se uma probabilidade a cada cenário para se chegar ao resultado final.

Por exemplo, o que esperar do País no segundo semestre e nas eleições de 2014 dependerá dos seguintes fatores:

Otimista - PIB acima de 2,5%, inflação sob controle, emprego e renda estáveis e déficit externo financiável.

Médio - PIB abaixo de 2%, queda moderada do desemprego e da renda, inflação pressionando mais, mas sob controle, e real se desvalorizando em função da fuga de recursos externos.

Pessimista - PIB na faixa de 1%, desemprego disparando, renda caindo, inflação subindo e contas externas depauperadas, levando a desvalorização drásticas do real e fuga de dólares.

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Esses cenários não podem ser analisados isoladamente. Dependem, em parte, do cenário externo. E aí, há que se definir três novos cenários.

Cenário Externo

Otimista - China fazendo pouso suave, ajudada pela recuperação moderada da economia norte-americana e de algum dinamismo do comércio mundial. FED (Banco Central dos EUA) reduzindo os estímulos monetários em um movimento sob controle. Cotações internacionais de commodities mantendo-se nos níveis atuais.

Médio - crescimento chinês caindo para a faixa de 5%, economia norte-americana demorando mais para recuperar, economia da União Europeia mantendo-se estagnada, queda nas cotações de commodities e fuga de recursos externos para títulos norte-americanos.

Pessimista - queda drástica dos preços das commodities e movimento descontrolado dos juros internacionais promovendo efeito manada dos investimentos externos, com disparada do dólar.

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Finalmente, tem-se o cenário sócio-político interno.

Otimista - manifestações refluem, leilão de concessões é bem sucedido, aumentam os investimentos, inflação fica na meta e Dilma Rousseff empreende reforma ministerial bem sucedida, recuperando parte da popularidade perdida. A oposição não consegue se articular.

Médio - permanece o desgaste de Dilma, mas oposição não consegue galvanizar apoio popular.

Pessimista - quadro econômico se agrava, Dilma não consegue atender às demandas surgidas nos movimentos de junho e há perda de controle da inflação e do câmbio. Mesmo não sendo eficiente, oposição consegue encampar sentimento de mudança do eleitorado.

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A definição de probabilidades é bastante complexa. Os cenários prováveis dependem muito mais do que poder ser chamado de "intuição" do analista.

No momento, o cenário provável é o seguinte:

Cenário Econômico - economia andando de lado mas sem quedas drásticas no nível de emprego. Contas externas ainda sendo financiadas pela entrada de recursos. Economia chinesa em leve desaquecimento, com queda moderada das cotações de commodities. Apenas uma deterioriação maios das contas externas poderá precipitar a crise.

Cenário político - fracasso relativo dos leilões de concessão e teimosia de Dilma sendo maior que sua esperteza. Mas oposição com dificuldade de capitalizar a insatisfação popular.

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