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Economia

Rondônia

Novos conflitos paralisam obras da usina de Jirau

por Brasil Econômico — publicado 18/03/2011 16h33, última modificação 19/03/2011 10h01
Dilma Rousseff determinou envio da Força Nacional de Segurança a Rondônia para impedir confrontos no canteiro

Dilma Rousseff determinou envio da Força Nacional de Segurança a Roraima para impedir confrontos no canteiro

Ricardo Rego Monteiro, do Brasil Econômico

O município de Porto Velho entrou em alerta máximo na quinta-feira (17/3), com o agravamento do conflito no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau.

Na madrugada da véspera, quando a situação aparentemente já havia retornado ao normal após os conflitos anteriores, um grupo de homens encapuzados tentou invadir as instalações da usina, o que obrigou o deslocamento de policiais militares para o local.

Diante da perspectiva de invasão da capital rondoniense e do município vizinho de Jaci-Paraná por cerca de 18 mil operários da usina, a presidente Dilma Rousseff determinou ontem o envio da Força Nacional de Segurança para o estado. Por causa dos incidentes, a empreiteira Camargo Corrêa decidiu suspender as obras da hidrelétrica por tempo indeterminado.

A construtora retirou do local 10 mil trabalhadores que atuam no turno da noite.

Executivos do consórcio admitiram a perda de controle de parte do canteiro, com a ocupação do refeitório e dos alojamentos por funcionários amotinados. O maior temor, de acordo com os mesmos executivos, era de perda do controle sobre os equipamentos e o paiol de explosivos usados na obra.

Tensão
O presidente do consórcio Energia Sustentável do Brasil, Victor Paranhos, revelou que, até a tarde da véspera, tais instalações ainda se encontravam sob controle dos homens da segurança patrimonial da usina - que trabalham desarmados, por obrigação legal - e da Polícia Militar de Rondônia.

Visivelmente tenso, Paranhos admitiu que o conflito, que eclodiu na noite da última terça-feira (15/3), pode realmente atrasar o cronograma da usina, prevista para começar a gerar energia no início de 2012. Por enquanto, no entanto, o consórcio mantém as datas originais do empreendimento, que tem uma da etapa fundamental - o desvio do curso do rio - mantida para julho deste ano.

"A primeira coisa a se fazer agora é voltar a ter o controle da obra, e ver quantos funcionários podemos trazer de volta para retomar a construção", admitiu Paranhos, ao ressaltar que, apesar da gravidade, não havia registro de mortos ou feridos no local.

"Hoje (ontem) a presidente Dilma tomou conhecimento da gravidade da situação, e determinou o envio da Força Nacional de Segurança para Rondônia."

Também no Rio, para o mesmo compromisso na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, manifestou preocupação com o deslocamento de 18 mil operários para as cidades próximas às obras (Porto Velho e Jaci-Paraná).

Ao classificar o quebra-quebra como "uma verdadeira rebelião em curso", o prefeito se disse preocupado com a perspectiva de interrupção das obras de Jirau. Tal fato, alertou Sobrinho,"deverá ter repercussão nacional e internacional".