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Economia

Eike Batista

Não há bala perdida

por André Siqueira e Sergio Lirio — publicado 31/10/2011 09h56, última modificação 01/11/2011 07h47
O bilionário Eike Batista, eleito líder mais admirado do Brasil, critica os empresários nacionais
Eike Batista  e executivos dão entrevista exclusiva

O bilionário Eike Batista, eleito o líder mais admirado do Brasil. Foto: Marco Antônio Teixeira/Ag. O Globo

Inaugurado nos anos 1940, o Hotel Serrador, em sua forma arredondada, era a confirmação da elegância e do cosmopolitismo do Rio de Janeiro entre as décadas de 50 e 60. A visão panorâmica dos andares altos permite percorrer, em segundos, cenários de tantos sambas: o Corcovado, o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa, mais adiante. Mergulhado na decadência do centro e da própria cidade por cerca de 30 anos, o Serrador acaba de renascer pelas mãos de Eike Batista, empresário que se acostumou a ver seu nome associado ao adjetivo polêmico. Uma definição tão vazia quanto incompleta, como se verá ao longo desta entrevista. Há pouco mais de um mês, após uma reforma, a sede do Grupo EBX foi totalmente transferida para o antigo hotel. Foi para CartaCapital a primeira entrevista de Batista no novo escritório, motivada por sua escolha como o líder empresarial mais admirado do País,- em pesquisa coordenada pelo consultor Paulo Secches e publicada por esta revista. Pelas janelas da sala de reunião, no 22º andar, as luzes e as cores da cidade ocupam cada canto. Alguém faz uma brincadeira: “Em dias de reuniões chatas, é só olhar o horizonte, não?” O empresário sorri.

A transformação do Serrador em sede- da EBX revela muito sobre as concepções e as ambições de Batista. Famoso pela meta de se tornar o homem mais rico do mundo (objetivo que ele promete atingir em 2015), ainda lembrado pelo tumultuado casamento com a modelo Luma de Oliveira, o empresário toca, longe dos holofotes, o mais ambicioso projeto privado no Brasil: um superporto no litoral do Rio de Janeiro, associado à construção de uma cidade com capacidade para 250 mil habitantes, que usará canais marítimos como vias de transporte e, por isso, acabou apelidada de a “Veneza brasileira”. Segundo ele, o porto, que englobará um complexo industrial com siderúrgica e termoelétrica, entre outras unidades, terá papel fundamental na redução de parte das ineficiências da economia nacional. “Nosso carro popular custa 25 mil reais!”, exclama. “A China tornou-se o que é por ter complexos desse tipo por toda a costa.”

Em quase duas horas de entrevista, o bilionário falou de seu prazer por desafios e da acumulação de sua fortuna e não poupou seus pares: “O brasileiro não tem a cultura de investir no risco. Se habituaram a fazer uma hidrelétrica, uma estrada. E tem de ser 15% de taxa (de retorno)”. E vai mais longe: “Costumava dizer que 50% dos CEOs das companhias estão no lugar errado. Aumentei o número para 87,5%. Os caras são ruins, não pensam em 360 graus”. Veja na edição de número 670 de CartaCapital os principais trechos da conversa com este empreendedor que é tão ousado nas palavras quanto nos negócios.

 

*Leia matéria completa na Edição 670 de CartaCapital, já nas bancas

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