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Mudanças, mas nem tão radicais

por Gerson Freitas Jr — publicado 12/11/2010 01h36, última modificação 19/11/2010 16h39
O governo Dilma terá de fazer ajustes para manter o crescimento
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Com o câmbio fora do lugar, as importações ocupam o espaço da população nacional

O governo Dilma terá de fazer ajustes para manter o crescimento

A equipe a assumir a condução da política econômica a partir de 1º de janeiro terá de promover mudanças. Se, por um lado, o cenário ainda é de otimismo em relação às perspectivas para o Brasil, por outro, cresce o desconforto com a conjuntura para os próximos anos. Ao que tudo indica, o governo de Dilma Rousseff terá de mostrar habilidade para desmontar as atuais armadilhas se quiser manter a economia em expansão acelerada com estabilidade de preços.

“Esta é uma transição diferente, pois o Brasil está em situação muito confortável. O mais óbvio seria manter tudo como está, mas o cenário externo nos obriga a fazer ajustes por cima. Vamos precisar ousar”, afirma Antônio Corrêa de Lacerda, professor doutor do Instituto de Economia da PUC, em São Paulo.

O grande desafio será cortar substancialmente os juros, atualmente os mais altos do mundo, aumentar a poupança doméstica e estimular os investimentos necessários para sustentar o crescimento da economia nos próximos anos. “Precisamos desentupir o financiamento de longo prazo no Brasil. Se não conseguirmos aumentar a taxa de investimento para 25% do Produto Interno Bruto, estaremos perdidos”, resume David Kupfer, professor doutor do Instituto  de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Hoje, o País não investe mais que 18% do PIB.

A presidente eleita assumiu como prioridade reduzir a taxa básica de juros, a Selic (fala-se em 2% ao ano, descontada a inflação) até o fim de seu mandato, em 2014. Trata-se de uma meta ambiciosa: atualmente, os títulos da dívida pública oferecem ao investidor uma remuneração anual de quase 6% em termos reais.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 623, já nas bancas.