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Mais conforto, apesar da crise

por André Siqueira — publicado 15/09/2010 08h07, última modificação 27/09/2010 11h14
A pesquisa do IBGE aponta melhora na qualidade de vida do brasileiro em 2009
Mais conforto, apesar da crise

O desafio hoje é preparar a indústria para o ano que vem, diz secretário secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento. Foto: Olga Vlahou

A vida do brasileiro melhorou em 2009, mesmo com o País ainda sob os efeitos da crise financeira internacional. É o que revelam os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo IBGE na quarta-feira 8. O levantamento mostra que a elevação da renda, a expansão da oferta de crédito e os pacotes de incentivo à economia foram responsáveis por aumentar o acesso da população a um conjunto de bens de consumo e serviços que vai desde a casa própria até telefones celulares, geladeiras, tevês e computadores com acesso à internet.

A pesquisa mostra, por exemplo, que o telefone chegou a 84,3% dos lares brasileiros, ainda que os celulares sejam o único meio de comunicação em 41,2% deles. No ano passado, quase 68 milhões de brasileiros acessaram a internet, com destaque para o aumento de 148% na participação do público com mais de 50 anos na rede. As geladeiras estão em 93,4% dos domicílios, perdendo apenas para as tevês (95,7%). Os aparelhos de DVD, com presença de 72%, superaram as máquinas de lavar (44,3%).

O acesso a bens de valor mais elevado, como carros e motos, acompanhou o movimento, com alta superior a 1 ponto porcentual. Em alguns estados, o número de veículos de duas rodas chegou a superar o de automóveis em circulação. As casas próprias, embora tenham mantido a participação de 73% no total de domicílios, registram crescimento de 13,4% em quatro anos. O aumento foi suficiente para acompanhar o ritmo acelerado da construção de residências.

A alta do índice de desemprego, de 7,1%, em 2008, para 8,3%, foi um dos únicos sinais visíveis, a partir dos resultados da Pnad, de que o Brasil foi abalado pela turbulência nas finanças internacionais. Os pesquisadores foram a campo em setembro de 2009, pouco antes do início da recuperação do mercado de trabalho. Mesmo nesse período, o poder de compra do empregado manteve-se em elevação, com 2,2% de crescimento sobre o ano anterior. Desde 2004, o ganho de renda acumulado é de 20%. A formalização seguiu a tendência positiva e atingiu recorde histórico: 59,6% dos trabalhadores, em 2009, tinham carteira assinada.

“A renda cresceu e se traduziu em um consumo maior de bens como carros, televisores e eletrodomésticos”, resumiu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Mesmo com mais conforto no lar, boa parte dos brasileiros ainda tem de lidar com a falta de saneamento básico. O serviço continua a inexistir em 40% dos domicílios. Outros problemas perseguem a população, como o analfabetismo, cuja queda foi pequena entre 2008 e 2009, de 10% para 9,7%. A queda no trabalho infantil não impediu que 4,3 milhões de crianças e adolescentes continuassem ocupados (em 2008, eram 4,5 milhões).

Os desafios permanecem, mas um sinal de avanço é a melhora do Índice de Gini, indicador utilizado internacionalmente para medir a desigualdade nas sociedades. Entre as famílias, a queda foi de 0,514 para 0,509, numa escala em que 1 representa o máximo em desigualdade. A impressão positiva é reforçada por um estudo do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado com base nos dados da Pnad e divulgado na sexta-feira 10. Segundo a instituição, 1 milhão de brasileiros deixou a pobreza no ano passado, um recuo de 4,3%. O número de pobres, segundo a instituição, caiu de 29,8 milhões (16,02% da população) para 28,8 milhões (15,32%) no intervalo de um ano, e apesar da crise.