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Economia

Socorro para a crise

Líderes europeus fecham acordo

por Agência Brasil publicado 27/10/2011 09h33, última modificação 27/10/2011 12h18
Os países da zona do euro e o FMI, que socorrem a Grécia desde maio de 2010, fornecerão mais 100 bilhões de euros ao país

Por Renata Giraldi*

Líderes da União Europeia (UE) anunciaram nesta quinta-feira 27 um acordo para tentar resolver a crise da dívida pública que assola vários países do continente. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disseram que o pacote é “um esforço ambicioso" dos países para encerrar a crise econômica internacional. A negociação levou mais de dez horas de discussão, em Bruxelas, na Bélgica.

O pacote interfere diretamente nas questões relativas à Grécia, Itália e Espanha. Os líderes europeus fizeram o anúncio oficial de um plano de ação com três linhas principais: a solução do problema da dívida da Grécia, o fundo europeu de resgate e o aumento da liquidez dos bancos.

Os bancos privados que têm títulos da dívida da Grécia aceitaram perdas de 50% nos seus papéis, o equivalente a 100 bilhões de euro (US$ 140 bilhões). A medida deverá diminuir a relação dívida-Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia para 120% em 2020. Nas condições atuais, essa relação poderia chegar a 180%.

Representantes dos países que participaram das discussões disseram que esse ponto do acordo foi o de mais difícil negociação, já que os bancos não queriam aceitar perdas superiores a 40%. Foi preciso a intervenção direta da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

De acordo com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, os países da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que têm emprestado à Grécia desde maio de 2010 – fornecerão outros 100 bilhões de euros ao país.

O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) – o principal mecanismo da região para resgate de países e bancos – será aumentado dos atuais 440 bilhões de euros para 1 trilhão de euros. Esse dinheiro seria usado para ajudar países como a Espanha e a Itália a lidar com seus problemas econômicos.

Os detalhes dos mecanismos para aumentar os recursos do fundo serão negociados em novembro, de acordo com Sarkozy. A expectativa é que o Feef ajude a mitigar crises, ao servir como uma espécie de seguradora aos bancos que comprarem papéis de dívidas de países em risco de calote.

Os bancos europeus precisarão levantar cerca de 106 bilhões de euros (US$ 148 bilhões) até junho de 2012, para aumentar a estabilidade do sistema bancário. A medida serviria para protegê-los de eventuais perdas, caso outros governos ameacem decretar a moratória de suas dívidas. Há temores de que a Espanha e a Itália possam seguir o caminho da Grécia.

Os líderes europeus vinham sendo criticados, nos últimos meses, por não adotar medidas fortes o suficiente para lidar com a crise da dívida pública dos países da zona do euro. Nesta quinta-feira, eles disseram esperar que o novo acordo abra caminho para o fim da crise.

"A zona do euro adotou uma resposta confiável e ambiciosa à crise da dívida", disse Sarkozy. Para ele, o acordo é uma resposta “confiável e ambiciosa” à crise. "A complexidade dos fatores e a necessidade de se chegar a um consenso significam que nós tivemos de passar horas negociando", acrescentou. O presidente francês espera que o acordo traga "alívio a todo o mundo".

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, elogiou o acordo anunciado nesta quinta-feira. "Nós podemos dizer que um novo dia chegou na Grécia, não só na Grécia mas em toda a Europa".

Apesar dos elogios, os próprios líderes europeus reconhecem que muitos detalhes do acordo ainda precisam ser esclarecidos. Não se sabe, por exemplo, como os países do euro vão levantar os fundos necessários para aumentar o Feef de 440 bilhões de euros para 1 trilhão.

Além disso, alguns analistas de mercado questionam se o valor será suficiente para conter uma nova crise, caso economias maiores que a da Grécia – como a da Itália e a da Espanha – também passem a ter problemas para pagar suas dívidas públicas.

*Matéria publicada originalmente na Agência Brasil