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Economia

Interesse do consumidor

Julgamento para fusão de Sadia e Perdigão é interrompido no Cade

por Agência Brasil publicado 08/06/2011 20h33, última modificação 08/06/2011 20h36
Após posicionamento contra a união do relator Carlos Ragazzo, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu tempo para analisar o voto

Por Wellton Máximo*

Brasília – O relator no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do processo que julga a fusão da Sadia e Perdigão, Carlos Ragazzo, votou contra a união das duas empresas. Anunciado em maio de 2009, o negócio cria a BRF Foods, a maior exportadora de aves do mundo.

Depois da leitura do voto, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz. Ele pediu tempo para analisar o voto do relator, de mais de 500 páginas, e prometeu concluir o voto na próxima sessão do Cade, no dia 15. Os demais conselheiros, Alessandro Octaviani, Olavo Chinaglia e Marcos Veríssimo, também aguardarão o prazo para se pronunciarem.

Num voto que demorou cerca de seis horas para ser lido, o relator afirmou que a fusão será prejudicial ao consumidor porque causará uma concentração de mercado muito grande. Segundo ele, as duas empresas respondem por mais de 60% em quase todos os mercados analisados. Em alguns casos, a concentração seria superior a 90%.

Ragazzo chegou a afirmar que o preço de carnes como salsicha e presunto poderão subir até 40% com a união. Segundo ele, isso ocorreria por causa do fim da rivalidade entre as duas empresas, que são as principais concorrentes uma da outra. Ele recomendou que o negócio seja completamente desfeito em até dez dias depois de o resultado do julgamento ser publicado no Diário Oficial da União. Até a compra conjunta de serviços e insumos, atualmente permitida por acordo entre as empresas e o Cade, seria proibida.

*Publicado originalmente em Agência Brasil.