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Economia

Estados Unidos

Janet Yellen é a nova presidente do Fed

por Redação — publicado 09/10/2013 17h48, última modificação 28/11/2013 17h17
A primeira mulher a chefiar o Banco Central dos EUA deve privilegiar o combate ao desemprego em detrimento à luta contra a inflação
Jewel Samad / AFP
Barack Obama

Obama discursa na Casa Branca nesta quarta-feira 9, entre Janet Yellen e Ben Bernanke

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou nesta quarta-feira 9 Janet Yellen como a primeira mulher a presidir o Federal Reserve, o Banco Central norte-americano. A decisão é vista como capaz de garantir a continuidade da política de flexibilização monetária mantida pelo presidente demissionário do Fed, Ben Bernanke.

Obama fez o anúncio oficial em um ato na Casa Branca, com a participação de Bernanke. "É uma boa notícia que a administração norte-americana tenha tomado medidas para dissipar a incerteza em relação ao próximo presidente do Federal Reserve", disse José Vinals, diretor do departamento de mercados financeiros do Fundo Monetário Internacional, em coletiva de imprensa. "Por sua carreira acadêmica e sua experiência política, não vejo alguém melhor preparado que a senhora Yellen para dirigir o Fed neste momento crucial", acrescentou Vinals.

"A nomeação de Janet Yellen (...) será bem acolhida pelos mercados, merecidamente. Isso significa a continuação da política de Bernanke", segundo David Kotok, presidente do conselho de investidores Cumberland Advisors. "A posição de Janet Yellen sempre esteve do lado das pombas (democratas) nos últimos anos porque ela se centra na persistente fragilidade do mercado trabalhista", constatou Stephen Oliner Yellen do American Enterprise Institute. "Suas previsões finalmente foram muito mais exatas que as dos falcões (republicanos)" do Comitê de política monetária (FOMC) "que veem a inflação em cada esquina", acrescentou o analista.

Ex-conselheira econômica de Bill Clinton, vice-presidente do Fed desde 2010, Yellen, de 67 anos e considerada uma das "pombas" do Fed, se tornou favorita com a renúncia do concorrente pela nomeação à presidência do Banco Central, o principal ex-assessor econômico de Obama, Larry Summers, em meados de setembro.

No auge da disputa entre os dois, dezenas de senadores democratas tomaram partido por Yellen em uma carta enviada ao presidente. Diante das críticas da oposição e de vários legisladores democratas (o mesmo partido de Obama), Summers abandonou a disputa pela presidência da instituição. Em uma carta dirigida a Obama, Summers citou o temor de uma acirrada disputa em seu processo de confirmação para o cargo no Congresso.

Duzentos e quarenta economistas, entre eles o prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz e os conselheiros econômicos do governo Clinton (1993-2001), Alice Rivlin e Christina Romer, assinaram uma carta aberta a Obama para apoiar Yellen.

Considerada uma democrata, Yellen passou mais de 12 anos em postos de decisão de política monetária. É vista no seio do Comitê de Política Monetária (FOMC) como mais preocupada com o desemprego que com a inflação. Cinco anos depois da crise de 2008 provocada pela bolha imobiliária e os créditos de risco, a economia norte-americana ainda se encontra sob a influência do Fed, que deve começar a reduzir seu excepcional apoio à economia.

Assim, Yellen terá a tarefa de reduzir as injeções de liquidez do Fed, fundamentalmente, a compra mensal de títulos do Tesouro e títulos hipotecários de 85 bilhões de dólares.

Com informações da AFP