Você está aqui: Página Inicial / Economia / Isso é Esparta?

Economia

Crise

Isso é Esparta?

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 31/10/2011 11h58, última modificação 04/11/2011 14h08
A proposta de Papandreou pôs em evidência a incompatibilidade do livre mercado com a democracia
crise1

Militantes protestam contra medidas dos governos diante da crise. Foto: Pascal Guyot/AFP

A proposta de Georgios Papandreou de submeter a plebiscito o plano de resgate laboriosamente armado pela União Europeia pegou de surpresa os líderes políticos e financeiros da Europa e do G-20, os mercados, o povo grego, seu próprio partido e até seu ministro da Fazenda, Evangelos Venizelos, que foi internado no dia seguinte com fortes dores de estômago e suspeita de apendicite, mas logo depois liberado pelo hospital.

Furioso, o presidente francês Nicolas Sarkozy disse que “a Grécia deve decidir se quer ou não continuar na Zona do Euro”. Na reunião do G-20, convocada, principalmente, para respaldar o plano de contenção da crise europeia, as chances de avanços substanciais são duvidosas mesmo com

o problema europeu aparentemente equacionado a médio prazo. Com a incerteza jogada a novo patamar, seriam nulas. A China não arriscaria suas divisas para apoiar uma jogada tão perigosa e ninguém ousaria assumir compromissos firmes ante a perspectiva de um novo tsunami financeiro.

 

Os repasses de que Atenas necessitava com urgência para pagar salários e pensões em dezembro foram congelados até a definição da Grécia. Uma consulta era tudo o que os poderes políticos e econômicos da Europa queriam evitar. Como escreveu um comentarista do Financial Times, “as autoridades de Bruxelas reagem à perspectiva de um referendo como vampiros ao alho”. Desde 2005, quando franceses e holandeses rejeitaram a relativamente anódina Constituição Europeia em tempos de prosperidade, a tensão entre mercado, instituições europeias e democracia é crescente.

 

*Leia mais na edição 671 de CartaCapital, já nas bancas