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Estudo

Ipea: Brasil tem boas condições para enfrentar a crise

por Redação Carta Capital — publicado 19/08/2011 12h37, última modificação 06/06/2015 18h57
Redução da Selic é uma das formas de estimular a economia do País, melhorar o equilíbrio fiscal do estado e desestimular o ingresso de investimentos especulativos

Após forte queda da bolsa brasileira ante o rebaixamento da nota de endividamento dos Estados Unidos, o Brasil se viu suscetível à mais uma crise financeira mundial. Porém, o país está bem preparado para enfrentar o agravamento da crise financeira internacional, e o momento atual pode até ser uma oportunidade para que o país faça alterações em sua política econômica. As afirmações estão no estudo "O Brasil ante a crise financeira internacional", divulgado nesta quinta-feira 18 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Com o objetivo de apresentar uma reflexão sobre as condições atuais do Brasil e sua capacidade de efetuar políticas públicas, capazes de combater os efeitos mais perversos de uma possível crise mais profunda, o estudo analisou cinco fundamentos importantes para a economia: o Produto Interno Bruto (PIB), o crédito, a inflação, o fluxo de capitais e a contas públicas.

O documento ressalta que a economia brasileira não está mais em um momento de aquecimento, o que afasta o risco de uma freada brusca, e a inflação está aparentemente sob controle, favorecida pela queda nos preços das commodities. Diferentemente de 2008, até o momento não houve restrição de crédito para o consumo e a produção, principal correia de transmissão da primeira fase da crise financeira.

“Em 2008, houve um problema grave de liquidez nos bancos das economias centrais, por causa de uma diminuição patrimonial com o subprime. Esse não parece ser o cenário atual”, argumentou Cláudio Hamilton, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea. Segundo o estudo, "os bancos estão sólidos e não há indicação de um arrefecimento mais profundo no crédito."

Redução da dívida pública

Os superávits elevados nas contas públicas foram mantidos nos últimos meses, o que ocasionou uma redução na dívida pública líquida. “Uma possível desvalorização do real por causa da crise não vai afetar o endividamento público, como ocorreu nas crises de 1999 e 2002. As dívidas do governo brasileiro não estão mais indexadas ao dólar e temos reservas elevadas. A crise pode provocar, na verdade, uma redução do endividamento”, explicou Hamilton.

O Comunicado alerta, no entanto, que existem algumas fragilidades. A principal delas é o passivo externo privado, que cresceu significativamente desde 2008, estimulado pelo grande volume de capital especulativo que ingressou no país. “O efeito disso é a deterioração progressiva da situação dos déficits em transações correntes”, aponta o documento.

Como a inflação parece não ser mais um problema, o estudo mostra a queda nos juros básicos da economia (Selic) como uma das formas de estimular a demanda, melhorar o equilíbrio fiscal do estado e desestimular o ingresso de investimentos especulativos. “O Banco Central tem disponíveis todos os instrumentos que tinha em 2008 para estimular a economia, e um deles é a taxa de juros”, afirma o técnico do Ipea.

No caso de o Brasil precisar se defender da crise, o Ipea sugere que a estratégia utilizada não pode permitir a erosão das reservas internacionais, nem a recessão, nem o desemprego, nem o corte de salários reais. "Se necessário, deve haver dirigismo do crédito como em 2008/2009, pela participação dos bancos públicos. Fundamentalmente, a crise é uma oportunidade para mudar intensamente a política monetária, tendo como resultado a redução sensível das taxas de juros e o direcionamento da economia, articulado entre setor público e privado, para além das rendas financeiras, impulsionando a produção."