Você está aqui: Página Inicial / Economia / Identificada rede capitalista que domina o mundo

Economia

Ciência e Tecnologia

Identificada rede capitalista que domina o mundo

por Tão Gomes — publicado 01/11/2011 14h38, última modificação 01/11/2011 14h40
A revista New Scientist acaba de identificar a rede capitalista que domina o mundo. Trata-se de um estudo que juntou três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça

A revista New Scientist acaba de identificar, naquilo que eu chamaria de furo de reportagem, a rede capitalista que domina o mundo. Trata-se de um estudo que juntou três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça (*).

O resultado foi um gráfico que revela  as interconexões entre 1.318 empresas transnacionais e torna mais nítido o alvo do pessoal que ocupa praças e ruas – inclusive a simbólica Wall Street – em protesto, muitas vezes sem saber contra quem  estão protestando.

O caminho de volta de Ignácio de Loyola Brandão
Rigoberta Menchú: 'Ninguém trata tão mal seus índios quanto o Brasil'
Dilma Rousseff: 'Crise atual é pior ou igual a de 1929'

Os pesquisadores do Instituto de Lausanne partiram de uma análise, já afunilada, de 43.060 empresas e concluiu que um pequeno número delas tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. Entre elas destacam-se sobretudo os bancos, o que não seria uma grande novidade.

De qualquer forma este parece ser o primeiro estudo sobre a onda de protestos que varre o planeta despido de qualquer viés ideológico, político ou mesmo sociológico.

A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade.

Não poderiam assim ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial – tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas  e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas— na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo – as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo. E isso não é tudo.

Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas. "Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz um dos
pesquisadores.

E na maioria são bancos.

As primeiras análises feitas pela New Scientist, reproduzidas no Brasil pelo site Inovação Tecnológica, sugerem que a concentração de poder e influência em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Desde a crise de 2008 está provada a instabilidade dessas redes: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede.

Os pesquisadores suíços ponderam, contudo, que essa super-entidade não deve agir dentro de algum tipo de conspiração. Afinal 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer. Mesmo porque muitas vezes elas são concorrentes diretos entre si.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum – e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 25 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas

1.      Barclays plc
2.      Capital Group Companies Inc
3.      FMR Corporation
4.      AXA
5.      State Street Corporation
6.      JP Morgan Chase & Co
7.      Legal & General Group plc
8.      Vanguard Group Inc
9.      UBS AG
10      Merrill Lynch & Co Inc
11.     Wellington Management Co LLP
12.     Deutsche Bank AG
13.     Franklin Resources Inc
14.     Credit Suisse Group
15.     Walton Enterprises LLC
16.     Bank of New York Mellon Corp
17.     Natixis
18.     Goldman Sachs Group Inc
19.     T Rowe Price Group Inc
20.     Legg Mason Inc
21.     Morgan Stanley
22.     Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23.     Northern Trust Corporation
24.     Société Générale
25.     Bank of America Corporation

Bibliografia:

(*) The network of global corporate control
Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston

http://arxiv.org/abs/1107.5728