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O Grupo Alibaba e a rentabilidade de alto risco

por Paulo Yokota — publicado 12/05/2014 04h18, última modificação 12/05/2014 04h25
Ao buscar 1 bilhão, operação de grupo de origem chinesa pode ultrapassar Facebook e chegar a 20 bilhões de dólares

O mundo dos negócios internacional discute uma das maiores operações financeiras já em curso desde os primeiros dias deste mês de maio, que apresenta perspectivas de elevadas rentabilidades e envolve necessariamente riscos. Trata-se de uma IPO (Initial Public Offering) do Grupo Alibaba, de origem chinesa, que opera em vendas pela internet, proposto no mercado de New York. Essa operação foi recusada em Hong Kong, que considerou não haver adequação nos mecanismos de escolha dos seus dirigentes da empresa, o que seria à critério do presidente, Jack Ma.

Tem início a operação em New York modestamente com o objetivo de captar um montante de 1 bilhão de dólares, mas os especialistas nesses mercados avaliam que pode chegar a valores entre 15 a 20 bilhões de dólares, podendo superar a do Facebook que chegou em 16 bilhões de dólares em 2012, tornando-se a maior da história nesse mercado de capitais.

O Grupo Alibaba, que para muitos lembra os 40 ladrões, é comandada por Jack Ma, que era um simples professor de inglês em Hangzhou, perto da cidade de Shangai até 1999. Ele visualizou a potencialidade do e-commerce na China, e suas vendas no ano passado chegaram a 5,7 bilhões de dólares, sendo maior que a eBay e a Amazon juntos.

Jack Ma já é vendido como o maior filantropo da China, sendo comparado com Andrew Carnegie nos Estados Unidos, que atuou no final do século 19 e começo do 20. Segundo um expressivo artigo publicado na Economist, pesquisas de analistas sugerem que a sua empresa poderia valer hoje 150 bilhões de dólares, sendo que na apresentação da IPO eles mesmos estimaram em 110 bilhões de dólares. A receita do Alibaba teria se elevado mais de 50% nos últimos nove meses de 2013 e sua margem de lucro seria um crescimento superior a 40%.

O fato concreto é que a operação da Alibaba não se restringe à China que é a sua base, mas os recursos que seriam captados destinam-se a ampliar suas operações em todo o mundo globalizado, tanto nos países industrializados como os Estados Unidos, como no mundo emergente, onde já possuem operações crescentes em muitos países.

Parece interessante saber que na China não havia muitas redes de comercialização que se estendessem por todo o seu amplo território, com sistemas eficientes de logística. Também muitos chineses que moram no interior contam hoje com facilidades dos telefones celulares e da informática, para efetuar suas compras. Há hábitos relacionados com o mercado informal, como no setor financeiro, que devem estar utilizando os mecanismos de e-commerce.

O fato concreto é que a também conhecida Yahoo possui uma expressiva participação no Alibaba, e informa-se que com a operação poderia embolsar cerca de 12 bilhões de dólares, que poderiam ser utilizados para suas novas aquisições comandadas pela presidente Marissa Mayer, ou recomprar parte de suas ações que estão no mercado, cujos dividendos, distribuídos nos últimos anos, não atingiram valores desejáveis para seus acionistas.

Deve-se admitir que existem concorrências entre as grandes empresas mundiais que operam na informática e nos meios de comunicação, tendo uma forte penetração entre os internautas, como Yahoo e Google, que devem estar estimulando essas atividades, principalmente com o uso das mais atualizadas tecnologias que foram geradas em locais como o Vale do Silício. Muitas novas atividades acabam atraindo investidores, ainda que apresentem elevados riscos.

Também a Softbank, empresa de origem japonesa controlada por Masayoshi Son, de ascendência coreana, está sendo considerada uma das grandes beneficiárias da operação do IPO da Alibaba, da qual é grande acionista desde os períodos iniciais de suas operações na China. O assunto já foi veiculado em artigo no site da Bloomberg. A Softbank que tem igualmente um estilo de operação agressivo tornou-se a maior operadora de telefonia celular no Japão, superando a antiga estatal DOCOMO, que praticamente tinha um monopólio. Também adquiriram nos Estados Unidos a Sprint com amplos projetos para expandir suas operações neste país, como no mercado globalizado.

Um extenso artigo publicado por Leslie Picket, no site da Bloombeg, informa que figuras lendárias do setor financeiro, como Eric Dobkin que foi importante na Goldman Sachs e continua operando nos segmentos das IPOs, é um dos envolvidos nessas operações da Alibaba, ajudando a criar um clima de quase euforia com seus projetos, mesmo que ainda estejam mais no papel que implantados no mercado de e-commerce.

Compreende-se que investidores dispostos a altos riscos, que também podem proporcionar elevados retornos, estejam tão excitados com as operações desses novos empresários extremamente agressivos. Mas, um pouco de cautela sempre parece recomendável.

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