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Grandes bancos estão ainda maiores nos EUA

por Redação Carta Capital — publicado 09/06/2011 16h54, última modificação 09/06/2011 18h41
Volume de ativos das seis principais instituições, que já deixava o sistema financeiro exposto, aumentou 15% desde o pré-crise, alavancadas por ajuda do governo.

Por Ana Paula Ribeiro*

Enquanto a economia americana patina e não apresenta uma recuperação consistente, os grandes bancos dos Estados Unidos tornam-se ainda maiores, com retomada dos lucros e incorporação de instituições que faliram nos últimos anos.

Conforme levantamento do Brasil Econômico, os seis maiores conglomerados bancários totalizam ativos em volume 15% superior ao registrado em 2007, quando os efeitos da crise do subprime ainda não tinham se intensificado.

A maior parte desses bancos, protagonistas da crise que ganhou escala global, foi socorrido pelo governo americano, que injetou trilhões de dólares no sistema financeiro para incentivar o crédito e para comprar ativos considerados tóxicos que estavam em poder das instituições financeiras. Agora, passados mais de dois anos da eclosão da crise, alguns conseguiram até dobrar de tamanho.

É o caso do Wells Fargo, que está hoje com um total de ativos 116% superior ao que detinha antes da crise, chegando ao final do primeiro trimestre a US$ 1,24 trilhão. Isso porque, nos últimos anos, acabou absorvendo algumas instituições que não resistiram à crise, como o Wachovia Corporation Banking. Movimento semelhante ocorreu com o JP Morgan, que possui ativos 40% acima do registrado antes da turbulência financeira, chegando a US$ 2,2 trilhões em ativos. Entre as instituições que foram compradas pelo JP, está o Washington Mutual Bank.

Ao todo, o mercado dos EUA viu fechar 370 instituições financeiras desde 2007, sendo que o auge das falências ocorreu no ano passado.

Apesar da maior concentração de mercado, a avaliação de analistas é que não é possível limitar o tamanho dos bancos para evitar uma nova crise. Ou seja, mesmo para evitar um risco sistêmico, o mercado continuará a conviver com instituições que são muito grandes para quebrar ("too big to fail").

"É natural em uma economia capitalista, as instituições são cada vez maiores. É necessário economia de escala para ter custo mais baixo e maior eficiência", avalia o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicolas Tingas.

Como não é possível impedir que as instituições cresçam, a maior preocupação é em relação à supervisão dessas instituições.

"Não se discute muito a questão do tamanho, mas sim a alavancagem desses bancos", afirma o economista sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano, lembrando que no Brasil o sistema de supervisão é muito mais conservador, o que evitou maiores problemas na crise.

Embora os reguladores nos EUA ainda não tenham concluído todas as reformas, desde a eclosão da crise já houve uma melhora nos padrões de alavancagem. Superior a 30 vezes o capital dos bancos até 2007, a alavancagem já está em níveis bem menores. Alguns conseguiram reduzir a exposição ao risco a menos da metade do que já foi praticado no pré-crise.

Para Serrano, o importante é avaliar qual a qualidade dessa alavancagem, mas sem uma restrição a atuação dos bancos. "Se o governo coloca muitos entraves, o sistema não vai funcionar de maneira muito eficiente. Mas muita escassez de regra também mostrou que não é o caminho. É preciso achar o equilíbrio", diz.

Para o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, é preciso ter com os grandes bancos uma maior, justamente porque eles não podem quebrar, independente do país em que atuem. "Tem que ter um rigor maior e, se tiver algum problema, é preciso encontrar uma solução e evitar a quebra", diz.

*matéria publicada originalmente pelo Brasil Econômico