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Fed surpreende e mantém política de estímulos

por AFP — publicado 18/09/2013 18h27
O Banco Central dos Estados Unidos vai manter as taxas de juros ultrabaixas. E reduziu a previsão de crescimento para 2013 e 2014
Mark Wilson/Getty Images/AFP
Ben Bernanke

Bernanke fala após reunião privada dos diretores do Fed. Decisão surpreendeu os analistas

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) surpreendeu os mercados, nesta quarta-feira 18, ao manter inalterada suas medidas de apoio à economia mediante compras de títulos e taxas de juros ultrabaixas e reduziu suas projeções de crescimento para 2013 e 2014. O Fed continuará comprando 85 bilhões de dólares mensais em títulos do Tesouro e hipotecários e manterá a taxa básica de juros em um nível próximo a zero.

O Comitê de Política Monetária do Federal Reserve (FOMC) disse que, apesar de a economia parecer resistir bem aos cortes do gasto público federal, "decidiu esperar mais evidências de que os avanços serão sustentados, antes de ajustar o ritmo de suas compras" de ativos. O Comitê afirmou que observa uma queda dos riscos sobre a perspectiva econômica do país e o mercado de trabalho, "desde o outono (no hemisfério norte) passado".

Contudo, considerou que "o endurecimento das condições financeiras (aumento de taxas para alguns setores da economia como o imobiliário) observado nos últimos meses, se continuar, poderia frear as melhoras na economia e no mercado de trabalho". O FOMC destacou em seu comunicado que a economia avançou a um ritmo "moderado" ao invés de "modesto" como disse em julho, contudo, se preocupa com o aumento das "taxas sobre os créditos hipotecários".

O Fed espera diminuir as compras de ativos que pesam sobre suas finanças, já que prometeu conservar esses títulos até seu vencimento e reinvestir seus rendimentos para sustentar a recuperação. O presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke, reiterou nesta quarta-feira que a instituição pode cortar ainda este ano as injeções de liquidez que realiza na economia.

Bernanke disse que esta estratégia para injetar dinheiro no circuito financeiro não segue "uma rota pré-determinada", mas que depende dos dados econômicos. Novamente, a presidente da filial de Kansas City do Fed, Esther George, se opôs a manter o status quo.

Surpresa para os mercados

Os mercados esperavam uma modesta redução das compras de títulos. Contudo, Ian Shepherdson, analista da Pantheon Macroeconomics, explica que "tendo em vista a provável batalha com o Congresso sobre o gasto público e o aumento do teto de endividamento (do país) nos próximos meses, que vai afetar a atividade econômica e a confiança dos consumidores, o status quo do Fed oferecerá algum apoio a uma economia em posição difícil para abordar o quarto" trimestre do ano.

O Fed cortou, além disso, nesta reunião suas projeções de crescimento para EUA. O PIB deveria crescer 2,0% a 2,3% em 2013, 0,3 ponto percentual menos que o previsto em junho e entre 2,9% e 3,1% em 2014, 0,1-0,4 ponto a menos com relação à projeção de junho.

Imediatamente depois da publicação da decisão do Fed, Wall Street subiu e o Dow Jones ganhava 0,54%. A política de milionárias injeções de liquidez do Fed permite manter taxas baixas a futuro e é um pilar do desempenho da bolsa, que alcançou níveis recordes nos últimos meses.

O euro, contudo, se valorizou fortemente em relação ao dólar após a notícia de que o fluxo de dinheiro pelo banco central norte-americano continuará e por volta das 15h05 valia 1,3471 dólar contra 1,3374 pouco antes de a decisão ser publicada. Os preços dos contratos futuros de petróleo cotados em Nova York subiram com força, ajudado, além disso, por uma queda das reservas de petróleo nos EUA. O barril de "light sweet crude" (WTI) para entrega em outubro subiu 2,65 dólares no New York Mercantile Exchange (Nymex), para fechar em US$108,07.

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