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CNI: Faturamento da indústria cresce 4,3%

por Agência Brasil publicado 07/06/2011 16h20, última modificação 07/06/2011 17h33
O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, considera que o ritmo de expansão da economia brasileira está em acomodação

Por Kelly Oliveira

Brasília - O faturamento industrial voltou a crescer em abril. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento cresceu 4,3% na comparação com o mês anterior. Em março ante fevereiro, o faturamento real havia caído 5,2%.

O crescimento real dessazonalizado em abril (que desconsidera influências típicas do período) foi de 4,9%, quando comparado com o mesmo mês de 2010.

Na média dos quatro primeiros meses do ano, o faturamento cresceu 6,5% quando comparado ao mesmo período de 2010.

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, considera que o ritmo de expansão da economia brasileira está em acomodação. “A indústria é o setor que bem caracteriza essa acomodação do crescimento”, afirmou. Segundo ele, o menor ritmo de crescimento é resultado dos aumentos da taxa básica de juros, a Selic, e da queda do dólar ante o real, que “prejudica as exportações e leva ao aumento da penetração das importações no mercado brasileiro”.

Segundo os dados da CNI, a indústria operou com a média de 82% da capacidade instalada, queda de 0,4 ponto percentual ante março deste ano. Esse é o menor patamar desde fevereiro de 2010. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a utilização da capacidade instalada caiu 1 ponto percentual, a primeira queda desde outubro de 2009, na mesma base de comparação.

O emprego na indústria ficou praticamente estável (queda de 0,1%) em abril, em relação a março deste ano. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve alta de 2,8% em abril.

O rendimento médio real do trabalhador caiu 4% em abril na comparação com o mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2010, houve crescimento de 1,5%.

De acordo com Castelo Branco, o mercado de trabalho está se adaptando ao ritmo menor de expansão da economia, mas a expectativa é que, na média, a taxa de crescimento do emprego seja positiva. “Mas serão taxas bem mais modestas do que as que dominaram 2009 e 2010”, afirmou.

Inflação

A inflação no Brasil continua em patamar elevado e ainda é um ponto que requer atenção, ainda segundo Flávio Castelo Branco.

Nesta terça-feira 7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,47% em maio deste ano, taxa inferior à registrada no mês anterior, que havia sido de 0,77%. No acumulado de 12 meses encerrados em maio, a inflação ficou em 6,55%, acima do teto da meta de inflação para este ano (6,5%).

Para Castelo Branco, a pressão inflacionária maior, influenciada pela cotação de produtos básicos (commodities) no exterior, “parece ter sido vencida”, mas ainda há um efeito de alta dos preços espalhado pelo economia no país. Na avaliação de Castelo Branco, o recuo na taxa de inflação medida em 12 meses não será rápido. “Há uma inércia em alguns segmentos, no grupo de serviços, preços indexados, que merecem atenção.”

Mesmo assim, Castelo Branco considera que a economia tem reagido “de algum modo” aos aumentos da taxa básica de juros, a Selic, neste ano. Com isso, na avaliação do economista, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já poderia interromper o ciclo de alta da Selic na reunião marcada para hoje e amanhã 8.

“A expectativa não é de reversão na política monetária no curto prazo [redução da taxa básica]. Mas já é um cenário em que pode ser considerada uma interrupção das altas”, afirmou.

*Matéria publicada originalmente em Agência Brasil