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Ética guardiã

por Alfredo Assumpção publicado 09/11/2013 09h23, última modificação 11/11/2013 09h29
É aquela que dá senso de direção moral a todas as pessoas e até mesmo as nações

Um dos assuntos muito discutidos entre CEOs e empresas de executive search que atuam globalmente é a importância da ética nas empresas e como a característica serve de alicerce moral para os executivos. Eu sempre tento explicar o significado do que chamo ética guardiã, aquela que dá senso de direção moral a todas as pessoas e até mesmo as nações.

A ética nada mais é do que o aceite legítimo da sociedade dos hábitos da espécie humana e do seu caráter em geral, como a cultura dessa sociedade com seus valores definidos e aceitos como bons para todos os membros. Dessa forma, crenças, valores e cultura são alicerces morais ao objetivo primário de viver bem em meio a relacionamentos humanos, viver eticamente. Causas se unem em busca de um único efeito, um movimento único em benefício dos povos.

As empresas multinacionais que operam em todo o mundo, e que trazem práticas saudáveis de gestão de pessoas a partir da matriz, permitem que todos os funcionários, independentemente da nacionalidade, credo, sexo, raça, compartilhem uma crença única. Esses valores uniformes fazem com que as pessoas ajam da mesma forma, independente de onde a empresa tenha seu berço operacional, seja em manufatura, vendas, finanças, etc. Nessas empresas a democracia é praticada e o reconhecimento do mais capaz se faz presente.

Assim, a globalização deixa de ser cruel para se tornar uma dádiva. De acordo com o movimento natural dos mercados, a empresa melhor gerida, provida do melhor capital humano, absorve as empresas menos preparadas através de fusões e aquisições. A cultura da melhor empresa é estendida ao novo capital humano, replicando, naturalmente, os bons valores. Pode acontecer de uma empresa menor conter uma melhor cultura organizacional, e neste caso a empresa adquirente precisa se ajustar à cultura da adquirida, senão perde aquele capital humano de melhor calibre. Qualquer que seja o movimento, sempre prevalecerá a boa cultura. Esse processo converge sempre para o bem, principalmente quando observamos que as maiores empresas estão presentes em mais de 100 países, e a receita de cada uma delas é maior que o PIB de setenta por cento dos países.

Nas nações isso também acontece, mas em menor grau. Ainda não temos um movimento de fusão das nações, mas temos em operação os blocos econômicos, com claro posicionamento de países melhor geridos influenciando os menos preparados. Existe uma tendência a se exportar boas práticas fiscais, de economia, política e legal, de uma nação para outra. Moeda e passaporte serão únicos, caminhando para um mesmo banco central e ausência de fronteira. O idioma local tende a ser um dialeto. Bandeiras e hinos virarão peças de museu.

O século XXI se caracterizará pelo respeito ao cidadão na sua individualidade, com todos comungando de valores e crenças comuns. A empresa ética é sempre a vencedora. O país ético é copiado. Os blocos econômicos e as fusões de empresas levarão à melhor prática política, religiosa ou empresarial. Todos teremos a sonhada Ética Guardiã de valores. O bem na forma de seriedade, justiça, humildade e integridade, preservando o direito das pessoas, prevalecerá acima de qualquer outro valor moral. Cuidaremos mais da vida, da natureza, num projeto comum de felicidade, com utilização consciente de toda capacidade humana no planeta.