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Este país é outro

por Brasil Econômico — publicado 04/01/2011 10h50, última modificação 04/01/2011 10h50
Garantia estendida: a estrela dos seguros de pessoa física em 2010. A classe C costuma aderir com facilidade à oferta de uma apólice adicional na compra de um eletrodomésticos

A garantia estendida foi a estrela dos seguros de pessoa física em 2010, porque a classe C é responsável pela compra de metade de todos os eletrodomésticos vendidos e costuma aderir com facilidade à oferta de uma apólice por um ano adicional de garantia na compra de um liquidificador, aspirador ou laptop.
Por Thaís Costa*
Em geral, o primeiro ano é concedido automaticamente pelo fabricante. A informação está no suplemento de seguros massificados editado pelo Brasil Econômico na quinta-feira passada (30/12). Li o texto e fiquei com esse dado na cabeça.
Avessa a penduricalhos financeiros dessa natureza, me surpreendeu que tanta gente pudesse gostar a ponto de a tal garantia estendida representar o centro das atenções das companhias seguradoras, que vivenciaram o boom dos prêmios de baixo valor ao longo de 2010 e para tal montaram novas seções corporativas, comprando-se umas às outras, estruturando call centers e criando novas divisões de marketing.
A sorte é que eu não trabalho para uma empresa de seguros, pois poderia estar levando a empregadora a perder negócios de relevância. Livre desse risco e com a consciência aquietada, ainda assim não consegui deixar de pensar no contexto econômico que estava por trás dessa informação.
Se a classe C está comprando eletrodomésticos adoidadamente, este país precisa ser repensado. Só em massificados, os seguros movimentaram R$ 6 bilhões em 2010, conforme estimativa da Susep. É só 10% do mercado de seguros, que movimenta R$ 60 bilhões, mas é consistente e promissor.
Seguro massificado inclui seguros de vida, inadimplência, desemprego, residência, proteção financeira, perda e roubo de cartão de crédito e de telefone celular.
Agora até óculos e tênis estão sendo segurados! São bens dos quais todo mundo depende, mas que nunca haviam merecido a atenção de seguradoras, talvez por enfrentarem desgaste contínuo e progressivo, tornando a logística de seu processamento inexequível.
A novidade neste caso é a tecnologia, que entrou facilitando a distribuição do produto, o atendimento ao segurado e, importante, o pagamento da indenização. Não há dúvida, este país é outro, e tudo o mais precisa ser repensado.
* Matéria originalmente publicada no site Brasil Econcômico