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Política Econômica

Estamos no limite?

por Paulo Daniel — publicado 16/07/2011 09h11, última modificação 17/07/2011 15h20
O Financial Times afirma que o modelo de desenvolvimento brasileiro está chegando a sua exaustão

Recentemente os bretões, particularmente o Financial Times, estão bastante preocupados com a economia brasileira, elaboraram duas reportagem uma em que trata a respeito da possível bolha de crédito e, por último, sobre o limite do padrão de desenvolvimento do “lulismo”.

O interessante nesses artigos é a “preocupação” com o superaquecimento da economia brasileira e o “espantoso” crescimento econômico de 7,5% em 2010. Neste sentido, vamos à algumas constatações:

Primeiro é importante salientar que tanto o FT como esse humilde e modesto economista tem opiniões distintas e divergentes; o primeiro, como uma visão ortodoxa da economia em que a competitividade, eficiência e eficácia econômica estão em primeiro lugar e as estatísticas e os números são seus grandes aliados e sempre tentando explicar os problemas econômicos de maneira conjuntural; o segundo, reivindica-se heterodoxo faz suas análises com viés da economia política, preocupa-se com o Estado enquanto regulador e indutor do processo econômico e, na maioria das vezes, procura entender a economia de forma estrutural.

O FT através de sua reportagem, afirma concretamente que o modelo de desenvolvimento imposto nos últimos anos está chegando a sua exaustão, devido ao Real sobrevalorizado, aumento inflacionário, as altas taxa de juros, o alto volume de crédito e, como não poderia deixar de ser, os aumentos constantes dos gastos públicos. Além do que, Lula beneficiou-se da alta das commodities no mercado internacional.

Digamos que o êxito econômico de Lula tem seu viés de fortuna e, também, de labuta. A fortuna foi a liquidez internacional e a fase de labuta deu-se com ênfase maior no segundo mandato, desenvolvendo uma eficiência na máquina pública e a ampliação dos investimentos estatais na economia brasileira.

Com isso, inexoravelmente, aumenta a demanda agregada, com maior volume de empregos, aumento da renda, além de elevar o poder aquisitivo do salário mínimo em termos reais. É devido a este arcabouço que se aumenta o volume de crédito, diferentemente de alguns países europeus e EUA. O crédito no Brasil é somente concedido com a devida comprovação de renda.

Há uma análise correta de que a taxa de juros brasileira está altíssima, bem como, a valorização da nossa moeda, entretanto, não devido a inflação, pois não enfrentamos inflação de demanda e sim de custos, mas para atrair capitais externos com o objetivo de ampliar as reservas internacionais e manter relativamente baixo o preço dos produtos importados. Isso acaba com a indústria aqui instalada, diminuem os investimentos e reduz-se a geração de emprego. Este é o nó górdio da economia brasileira.

É bom que se diga, a alta taxa de juro da economia brasileira não é, tão somente só, para combater a inflação, está diretamente atrelada a manutenção ou elevação daqueles(as) que vivem dos juros da dívida pública brasileira e da renda financeira, portanto, o limite imposto para o crescimento e desenvolvimento da economia brasileira está aí.

Os gastos públicos não são em sua maioria com políticas públicas como saúde, previdência, educação, transporte, investimentos em infraestrutura, mas sim, para o pagamento dos juros da dívida pública, cerca de 50% do orçamento público federal já está comprometido com esta rubrica.

Neste sentido, não é o dito modelo de desenvolvimento apelidado de “lulismo” que está no seu limite, aliás, para cumprir a Constituição cidadã de 1988 é mais do que urgente ampliar os gastos públicos em programas sociais e de infraestrutura, ou seja, universalizar o que Lula, de forma tímida, mas com extrema importância iniciou.

O limite da política econômica brasileira está no chamado tripé (política fiscal e política monetária restritiva e câmbio flutuante) que restringe a ampliação do desenvolvimento econômico e social brasileiro, essa questão é tão limitadora, pois se quer, ortodoxos e heterodoxos apresentaram ou apresentam alternativas para esse modelo, que de certa maneira privilegia o capital financeiro em detrimento do capital produtivo.

Por fim, é bom salientar, não obstante a crise internacional, o Brasil continuará crescendo, pois há espaço econômico e social para isso, com certeza, para os próximos anos, a tendência é que haja crescimento e desenvolvimento econômico, sem riscos inflacionários. Até o final do ano e em outros que virão a economia brasileira nos mostrará que está com a razão; se são os otimistas, a qual eu me incluo, ou os terroristas econômicos, que após a crise de setembro de 2008 ficaram órfãos…