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Economia

Influência global

Enquanto isso, a China vai avançando

por Paulo Daniel — publicado 07/05/2011 12h25, última modificação 07/05/2011 12h46
Somente nos últimos anos a segunda maior economia do mundo passou a ampliar seus investimentos em outras regiões, como a América Latina

Mesmo sendo a segunda maior economia do mundo e o maior exportador do planeta, somente nos últimos anos a China vai ampliando o investimento de suas empresas em outras economias, principalmente na América Latina, pelo menos é o que nos mostra o último relatório elaborado pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe – ONU) sobre investimento direto externo na região.

A evolução do investimento chinês em outras economias deve-se ao fato da política adotada pelo governo desde o ano 2000, tendo como principal instrumento o financiamento que os bancos estatais prestam às empresas para seus projetos de investimento no exterior.

Neste sentido, é importante destacar também que as maiores empresas transnacionais chinesas são, com raríssimas exceções, de propriedade estatal, entretanto, mesmo no caso das empresas estatais, o investimento direto da China no exterior não pode ser explicado somente como uma resposta às diretrizes do governo.

O Estado impulsionava e impulsiona a expansão internacional, as empresas chinesas viram como o seu próprio crescimento, suas estratégias de diversificação e o seu desenvolvimento tecnológico as levavam a investir no exterior.

O forte crescimento da economia chinesa, com uma altíssima taxa de poupança, o grande desempenho exportador e os avanços em ciência, tecnologia e inovação geraram capacidades em muitas empresas que têm sido exploradas mediante o investimento externo.

Em muitos casos, as empresas chinesas adquiriram companhias no exterior com o objetivo de munirem-se de ativos estratégicos, como tecnologia ou marcas em economias avançadas, e terem acesso a recursos naturais em países em desenvolvimento.

No que diz respeito aos investimentos diretos chineses realizados na América Latina, há um grande destaque em 2010 quando suas empresas transnacionais investiram mais de US$ 15 bilhões na região, em sua grande maioria na extração de recursos naturais.

A China converteu-se assim no terceiro país investidor na região, depois dos Estados Unidos e dos Países Baixos. Em médio prazo, espera-se que as empresas chinesas continuem chegando à região e que diversifiquem sua presença em direção ao desenvolvimento de infraestruturas e manufaturas.

A influência que a China exerce na América Latina mediante o comércio estende-se a três âmbitos: como exportador de manufaturas a quase todos os países da região, como demandante de matérias-primas, sobretudo dos países da América do Sul, e como forte competidor nos mercados de exportação, em particular do México e da América Central.

A maioria dos investimentos da China na América Latina foi motivado pela necessidade de muitas empresas de reduzir sua exposição às altas de preços das matérias-primas.

Esta lógica comercial combinou-se com a pressão do próprio governo chinês no sentido de assegurar a provisão de energia e de matérias-primas, o que se traduziu em importantes apoios da banca pública a estas operações. Assim, mais de 90% dos investimentos de empresas chinesas confirmados na América Latina dirigiram-se à extração de recursos naturais.

Portanto, a médio e longo prazo nos interessará manter essa relação e os termos de troca? Ou iremos preferir a ampliação da industrialização de nossos países? É evidente, que precisaremos ter um câmbio favorável à exportação e intensificar o acesso à  educação, pesquisa e desenvolvimento. Para isso, vontade política, econômica e incentivo do Estado, como a China está nos mostrando, são essenciais nesse processo.

Texto originalmente publicado no blog Além de Economia