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Energia garante aumento anual de 7% do PIB até 2014

por Brasil Econômico — publicado 02/09/2010 16h20, última modificação 02/09/2010 16h43
Embora pairem incertezas sobre o fôlego de crescimento de longo prazo da economia brasileira, as projeções de todos os lados para o PIB neste e nos próximos anos ainda indicam uma atividade aquecida

Embora pairem incertezas sobre o fôlego de crescimento de longo prazo da economia brasileira, as projeções de todos os lados para o PIB neste e nos próximos anos ainda indicam uma atividade aquecida

No que diz respeito, ao menos, ao fornecimento de energia - fator que já foi terror do crescimento econômico em anos recentes -, o aumento de produção e de consumo estão garantidos sem que falte às empresas abastecimento energético para isso.

Segundo representantes do governo, o que já há de energia contratada, relativo a usinas e hidrelétricas em construção para os próximos anos, garante fornecimento para um crescimento de até 7% do PIB ao ano até, pelo menos, 2014.

"A demanda projetada até 2014 já está suprida. Temos entre 3 mil e 3,5 mil megawatts-médios contratados para entrar em funcionamento por ano. Isso permite um crescimento econômico anual de 7%", informou Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME).

A informação foi passada após os dois leilões de geração realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na semana passada. Os volumes equivalem a uma usina de Santo Antônio - que está sendo construída no Rio Madeira - inaugurada por ano.
Os leilões negociaram a energia de empreendimentos que entrarão em funcionamento de 2011 a 2013, e venderam 2,8 mil megawatts. "Com estes leilões, completamos o que estava projetado em demanda para o período", disse Tolmasquim.

Cálculos do setor de energia indicam que, para cada 1% de crescimento do PIB, o consumo de energia cresce entre 1% e 1,5%. Em 2009, a carga brasileira foi de 52 mil megawatts. Um crescimento de 7% do PIB, para esta base, exige um incremento de 3,6 mil megawatts na matriz.

Margem folgada - Este ano, no entanto, deve marcar o pico do crescimento, com projeções de PIB, feitas pelo governo e o mercado, que variam de 6,5% até 7,09%.

Para o PIB do segundo trimestre, que será divulgado amanhã pelo IBGE, a variação estimada chega a até 8%, segundo diferentes projeções de bancos e corretoras consultadas pelo Brasil Econômico.
Nos anos seguintes, no entanto, o ritmo fica mais ameno, com uma média de crescimento econômico, até 2014, entre 4,7% até a mais otimista, de 6%, estimada na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Qualquer uma delas, no entanto, já indica que a próxima década terá um Brasil mais aquecido do que na década que se encerra: entre 2000 e 2009, a média de evolução anual do PIB foi de 3,31%.

Apagão x "Pagão" - "O problema de apagão está resolvido", diz Paulo Pedrosa, presidente-executivo da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace).

"O problema agora é o ‘pagão'", brinca, referindo-se ao aumento de custos com que o sistema elétrico veio sendo carregado nos últimos anos.

Os chamados encargos setoriais - cobranças embutidas na conta destinadas a subsidiar o sistema - representam hoje cerca de 9% do total da conta de luz, somados ainda a mais dezenas de impostos que resultam em 46% do total da conta de luz.
Em 1999, o peso dos encargos era de 6,2%, segundo dados do Instituto Acende Brasil.
"A energia térmica, que é mais cara e começou a ser contratada pesadamente a partir de 2005, está começando agora a pesar nos custos", explica Pedrosa.

Enquanto o megawatt de grandes hidrelétricas, como no caso do negociado para o complexo do Rio Madeira ou de Belo Monte, custa até R$ 80, nas térmicas gira em torno dos R$ 140.
"A agenda de garantia do abastecimento já está comprida. Para os próximos anos, a nova agenda deve ser a busca pela competitividade", completa.

*Matéria originalmente publicada no Brasil Econômico