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Empresas com foco em classes C, D e E terão mais recursos

por Agência Brasil publicado 27/06/2011 17h22, última modificação 27/06/2011 17h22
Negligência do setor privado faz com que classes paguem "multa da pobreza"

Elaine Patricia Cruz*
São Paulo - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai dobrar o volume de recursos para investimento em empresas que ofereçam soluções para melhorar as condições de vida das classes C, D e E na América Latina e no Caribe. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira 27 durante o 1º Fórum para o Desenvolvimento da Base da Pirâmide, que termina amanhã na capital paulista.

“Cerca de 360 milhões de pessoas na região, ou 70% da população, são insuficientemente atendidas e pagam muito caro por serviços como saúde, educação e moradia”, disse o colombiano Luis Alberto Moreno, presidente do BID.

Os investimentos serão feitos por meio da iniciativa Oportunidades para a Maioria (OMJ, na sigla em inglês), criada há três anos. Desde 2008, a OMJ já investiu US$ 160 milhões no apoio de 24 projetos voltados às pessoas que integram a base da pirâmide social na América Latina e no Caribe, em setores como educação, saúde e moradia. O objetivo é que, até 2015, mais de 2,2 milhões de pessoas na região sejam beneficiadas com esses projetos.

“Essas populações tem sido negligenciadas, sobretudo do ponto de vista do setor privado organizado. São elas que pagam uma multa de pobreza: por serem pobres, acabam pagando mais por produtos e serviços em função da logística e do volume dos produtos. O que estamos querendo é nos associar com empresas privadas que querem pensar em novos modelos de negócios que possam, finalmente, servir a esse segmento da sociedade”, afirmou Luiz Ros, gerente da OMJ.

Segundo ele, o financiamento não se baseia em filantropia. “Isso é negócio. É fazer com que o setor privado preste atenção nas oportunidades que tem de construir relações de longo prazo, que melhore a qualidade de vida das populações de baixa renda e, ao mesmo tempo, ofereça grandes oportunidades de crescimento e inovação do setor privado”, disse Ros.

Os investimentos, segundo o BID, devem chegar a US$ 100 milhões por ano. Mas não há limite. “À medida que existam projetos que se caracterizem para servir a esses setores de baixa renda, teríamos recursos para financiar essas operações, independentemente do montante”, disse Ros.

O financiamento é feito diretamente com o BID, sem intermediários. Segundo Ros, as taxas oferecidas serão compatíveis com as de mercado, mas os prazos poderão ser maiores. “Os prazos que oferecemos são mais dilatados e, muitas vezes, maiores do que as empresas podem encontrar no mercado local”, disse ele, acrescentando que o volume máximo que será aportado em cada operação é US$ 10 milhões.

O primeiro projeto brasileiro desse tipo foi aprovado no ano passado. O distribuidor atacadista Tenda recebeu um empréstimo de US$ 10 milhões do BID para ampliar o programa de crédito a microempresários de baixa renda no setor de serviços alimentícios de São Paulo, como pipoqueiros, vendedores de cachorro-quente e confeiteiros, entre outros. “Eles [Tenda] montaram um programa de assistência técnica para ajudar a esse dogueiro [vendedor de cachorro-quente] ou dono de pizzaria a não só comprar os ingredientes na Tenda, mas também a se capacitar, aprender a fazer um orçamento”, exemplificou Ros.

*Matéria originalmente publicada em Agência Brasil