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Eike enfrenta a ira do mercado

por Redação Carta Capital — publicado 12/04/2013 10h54, última modificação 12/04/2013 10h54
Com apoio do BTG, o empresário corre contra o tempo para superar a crise
Eike Batista1

Em baixa. As ações da OGX caíram de 22 reais para menos de 2. Foto: Adriano Ishibashi/ Estadão Conteúdo

O mercado não dá trégua às empresas do Grupo X, de Eike Batista. As ações estão em queda na Bolsa paulista desde meados do ano passado, tendência ampliada nas últimas semanas, após as agências de rating baixarem a avaliação da empresa de petróleo, a OGX. O movimento de baixa reduziu em 9,8 bilhões de reais o valor do grupo em 2012, atingindo as empresas de petróleo, portos, logística, mineração, carvão e energia do empresário. Desde o início de 2013, perderam um montante equivalente. No caso da petrolífera, a cotação foi de 15 reais, um ano atrás, para 1,46, na quinta-feira 11.

Antes da mudança de humor dos investidores, as ações andaram bem: de junho de 2008, quando foram lançadas a 12,25 reais, subiram a pouco mais de 22 reais, em meados de 2010. A revisão para baixo da expectativa de produção dos campos, divulgada pela própria empresa em meados de 2012, entretanto, complicou o quadro. Assim como o clima que tem dominado o mercado brasileiro de ações.

Na terça-feira 9, o governo acenou com apoio. A presidenta da Petrobras, Graça Foster, disse que não haveria ajuda financeira, mas a possibilidade de sinergia entre a Petrobras e as empresas de Eike. “O Grupo X é um dos que avaliamos tanto para projetos a serem atendidos no médio prazo quanto para projetos a serem atendidos no longo prazo.” Em São Paulo, a executiva reiterou que a “parceria” incluía pagar pelo uso do Porto de Açu, em construção no litoral fluminense. A estatal cogita ainda encomendar embarcações ao estaleiro X.

Para reverter a crise, Eike mudou a estratégia. Diante da dificuldade para captar novos empréstimos e um passivo de 3,6 bilhões de dólares, foi em março ao BTG Pactual, de André Esteves, com quem fechou um acordo de gestão e financiamento. A saída arquitetada inclui reduzir a fatia do capital das empresas nas mãos do empresário, de cerca de 70%. “Não é natural ter concentração de capital tão alta, dado o risco, o tamanho do capital envolvido”, disse Esteves.

O “pibinho” teria jogado contra. “O ambiente de baixo crescimento dos últimos dois anos amplia a dúvida em relação a esses projetos, todos extremamente relevantes. Como o percurso esperado para a economia era outro e esses projetos ainda realizaram relativamente pouco, eles ficam mais expostos às mudanças de clima dos investidores”, diz o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica e professor do IE-Unicamp.

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