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Eike e os cestos de ovos

por André Siqueira — publicado 12/05/2010 15h04, última modificação 20/09/2010 15h05
Já utilizei este espaço para criticar as megapretensões e os pífios investimentos de Eike Batista na área de responsabilidade sócio-ambiental. Desta vez, façamos justiça ao tino empresarial do homem mais rico do Brasil. Sua próxima empreitada, conforme aponta a coluna Radar da Veja (jus à revista também), é a construção naval.

Já utilizei este espaço para criticar as . Desta vez, façamos justiça ao tino empresarial do homem mais rico do Brasil. Sua próxima empreitada, conforme aponta a coluna Radar da Veja (jus à revista também), é a construção naval. A Brasil Estaleiros, ou BEX (para manter aquela história do x para multiplicar a grana) não tem como dar errado. Deverá nascer com uma encomenda de 15 bilhões de reais. Quem compra isso tudo de uma empresa que ainda não existe? O próprio dono, é claro. O pedido é da OGX, braço de exploração de petróleo de Eike. Aquela mesma que, até agora, não viu uma só gota do líquido negro.

Ainda não nenhum detalhe sobre a criação da BEX. Mas, se seguir os passos dos outros empreendimentos do grupo, o estaleiro deverá contar com recursos do público, obtidos com a venda de ações na Bovespa. A OGX levantou 7 bilhões de reais só com a promessa de obter petróleo em algumas áreas arrematadas em leilões. Claro, a empresa tinha em seus quadros executivos-chave da Petrobras, contratados a peso de ouro. Imagina-se que eles tenham apontado a Eike a exata localização das reservas.

O nome disso, para usar o termo em voga, é alavancagem. Lembra a história da moça que, de posse de um cesto de ovos, sonha em criar galinhas, abrir uma granja e por aí vai. A dona da cesta sonha tanto que se descuida do caminho e, ao ver a omelete no chão, suspira: “Ai, meu Deus, quebrei a Sadia...” (Ok, não foi assim que minha mãe a contou, mas adaptei para torná-la mais ilustrativa).

Os bancos operam alavancados por natureza. Se ninguém fiscaliza, chega a um ponto em que basta uma minoria de clientes dar cano, ou sacar os recursos, para a intituição ficar sem liquidez, um eufemismo para a falência. Para os que ainda não fizeram a ligação, foi assim que começou a atual crise financeira internacional.

Não vejo em princípio, e é bom frisar, nenhuma irregularidade nas estratégias empresariais de Eike. Ele pede dinheiro e dá quem quer. Por enquanto, o mercado de capitais brasileiro ainda é brincadeira que não inclui tanta gente comum. Bem mais seguro, sobretudo nesses tempos de crise, é manter o dinheiro na poupança, em vez de confiar em gênios dos negócios saem às vendas sem ter nas mãos nada mais do que cestas de ovos.