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Vamos falar de feno

por Rui Daher publicado 01/10/2015 16h14, última modificação 02/10/2015 09h19
Não sei se o alimento pode ser recomendado a humanos, a alguns pelo menos
Wikimedia Commons

Estava em dúvida sobre comentar o déficit da Previdência Rural, forte preocupação da equipe econômica – camponeses quando se aposentam custam muito ao País; os comprometimentos do Brasil para frear o aquecimento global; ou o lançamento do Programa Leite Saudável, em agropecuária que nunca foi muito bem em lácteos.

Decidi-me pelo feno na alimentação animal.

Como já escrevi neste espaço, diferente da maioria dos analistas do agronegócio que aborda temas áridos se fazendo mais áridos ainda, eu procuro assuntos econômicos polêmicos e dou aos textos uma levada de crônica, onde misturo política, cultura, história e pitadas de humor. Talvez, prejudique a contextualização, mas é o meu jeito de ser e escrever. Quem me conhece, sabe.

Como ando meio inseguro de que esse estilo seja reconhecido e aceito, achei que o feno poderia agradar mais aos fugidios leitores. Ainda mais depois da foto em primeiríssimo plano que ilustra a coluna anterior.

O feno é um aglomerado de plantas secas, de preferência gramíneas e leguminosas, ceifadas a certo ponto de desidratação, quando ainda não perderam valor proteico. Servem como forragem para bovinos, que não mostram nenhum espanto ao ver aqueles grandes rolos amarelados no lugar de verdejantes pastos.

Nosso abençoado clima permite secagem apenas pela ação do sol e do vento para posterior armazenagem e uso em épocas de escassez. Contrário do hemisfério norte, de intensa antecipação mecanizada. Daí suas vacas receberem tantos subsídios.

Se os leitores já viram secar café em terreiro, caboclos revolvendo continuamente os grãos para melhor expô-los aos elementos naturais, no feno a rodagem se repete. Junta-se o material seco e o formata em grandes fardos. Não deixem que o mofo propicie a presença de fungos.

O feno é boa fonte de vitaminas A e D, cálcio e fósforo. Palatável e de boa digestão (evitemos o termo digestibilidade, pouco didático), não sei se pode ser recomendado a humanos, a alguns pelo menos.

Nutricionistas alternativas poderiam pesquisar seus efeitos. Consta que ajuda na preservação do ciclo visual, substitui a ação solar, pode ser tira-gosto de jiló e alcaçuz, gostoso que é, e usado no trato de refluxo esofágico.

Recomenda-se utilizar plantas novas e as folhas mais verdes, pois assim dessecadas, elas preservam e ampliam os benefícios, inclusive o teor de caroteno, sem chegar, no entanto, ao calibre de uma cenoura.

Os implementos agrícolas usados no Brasil em sua produção são simples. Nada de colheitadeiras, GPS, agricultura de precisão, big data. Ceifadeiras, ancinhos, enfardadeiras, coisas de menos, bastam.

Todas com marcas comerciais no mercado. Há quem venda feno pronto-uso. Evita trabalheiras rurais.

Esta coluna, por enquanto, não fará indicações. Talvez, um dia, possa fazê-lo, dá uma certa grana, mas não seria ético numa publicação assim séria. Ademais, isso o fazem centenas de revistas “rurais” que analisam o agronegócio com total legibilidade.   

A Embrapa (sempre ela) Gado de Leite tem informações adicionais importantes para melhorar a produção de feno. Agradarão sobremaneira suas vacas.

E aí, caríssimos? Gostaram? Texto curto, didático e focado. Para mim também foi mais fácil. Não precisei pesquisar estatísticas em fontes nacionais e estrangeiras, construir intersecções entre valores, projetar tendências, dialogar com o leitorado, como nas colunas anteriores.

Nota: o plantio da nova safra corre solto. Estarei em Andanças até 30/10. Se me quiserem, volto. Neste mês sabático, deixo uma sugestão: leiam na Folha de São Paulo, quinzenalmente, a coluna de Ronaldo Caiado sobre o agronegócio. Nas três primeiras, seu tema foi pedir o impeachment de Dilma. Bom divertimento.

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