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Economia

E metralham o cadáver

por André Siqueira — publicado 07/06/2011 13h41, última modificação 10/06/2011 14h03
O juro sobe mais uma vez, a despeito da queda da inflação
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Com os preços altos e crédito menos acessível o consumidor cortou compras e a indústria reduziu a produção

Pela quarta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom), sob a direção do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, elevou a taxa básica de juros, a Selic, agora em 12,25% ao ano. A alta de 0,25 ponto porcentual, anunciada na quarta-feira 8, parece pouco óbvia diante dos últimos indicadores, que mostram a economia em desaceleração, a inflação em queda e pouco espaço para novas altas de preços internacionais diante das crises no Hemisfério Norte. Mas era a aposta quase unânime entre os analistas de mercado, os mesmos responsáveis por criar as expectativas que servem de base às decisões mais importantes da área econômica do governo.

No comunicado sobre a decisão, o Copom deixou clara a disposição de promover ao menos mais uma elevação em sua próxima reunião, entre 19 e 20 de julho, ao se referir à necessidade de efetuar ajustes “por um período suficientemente prolongado”. Sob a ameaça das profecias autorrealizáveis do mercado financeiro, uma vez que as expectativas têm impacto considerável sobre o ânimo de empresários e prestadores de serviços para aumentar seus preços, o comitê assumiu o risco, cada vez maior, de desacelerar a atividade econômica em um ritmo superior ao necessário para levar a inflação à meta de 4,5% ao ano em 2012.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, aponta desde o primeiro trimestre para a ameaça do fenômeno que, em economês, é chamado de overkill, termo que poderia ser traduzido como sobre-esforço. “A soma da alta dos juros com as medidas macroprudenciais, que seguraram o crédito, e com o aperto fiscal está trazendo o crescimento do PIB para um ritmo abaixo do potencial. É possível que, no fim do ano, a discussão seja como reestimular a economia.”

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