Você está aqui: Página Inicial / Economia / Duelo de interesses

Economia

Fusão

Duelo de interesses

por André Siqueira — publicado 30/06/2011 16h28, última modificação 01/07/2011 13h39
Em uma tacada para manter-se à frente do Pão de Açúcar, Abilio Diniz compra briga com o sócio Casino e ganha apoio do governo para aliar-se ao Carrefour. Por André Siqueira
CARTACAPITAL240910-A104

Em uma tacada para manter-se à frente do Pão de Açúcar, Abilio Diniz compra briga com o sócio Casino e ganha apoio do governo para aliar-se ao Carrefour. Por André Siqueira. Foto:Masao Goto Filho

“Só fiz essa transação porque ela me permite olhar para frente e, tão longe quanto eu enxergo, me permite trabalhar aqui na CBD enquanto eu quiser.” Jean-Charles Naouri, presidente do conselho de administração do Grupo Casino, deveria ter prestado mais atenção a essa frase, proferida em maio de 2005 por seu sócio Abilio Diniz. O empresário anunciava, à época, o recém-assinado acordo de acionistas que permitiria aos franceses aumentar paulatinamente sua participação na Companhia Brasileira de Distribuição (leia-se Grupo Pão de Açúcar) até 2012, quando, finalmente, poderia ser obrigado a entregar a gestão da companhia. Quem imaginaria que, sete anos à frente, aos 74 anos, o parceiro ainda teria fôlego para lutar pelo comando da operação?

Diniz não só desistiu da aposentadoria como também conseguiu apoio do governo federal e do maior concorrente do Casino na montagem de uma complexa engenharia financeira para fundir o Pão de Açúcar ao braço brasileiro do Carrefour. O arranjo, se vingar, não só vai sustentar o empresário na cabeça da operação de uma rede sem concorrentes à altura no mercado brasileiro, mas também pode içá-lo diretamente ao centro decisório do segundo maior grupo varejista do mundo. Em que medida a manobra definirá a nacionalidade da rede e até que ponto o País tem a ganhar com isso são perguntas ainda sem uma resposta clara.

Por ora, o maior obstáculo às pretensões do empresário é o próprio Naouri, que tomou conhecimento das conversas de Diniz com o Carrefour da pior maneira, ao folhear a edição de 22 de maio do semanário francês Le Journal du Dimanche. As providências quase imediatas do presidente do Casino foram solicitar judicialmente uma busca por provas da negociação nas dependências do Carrefour e pedir arbitragem a uma câmara internacional contra o sócio brasileiro.

*Confira este conteúdo na íntegra da , já nas bancas.