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Balança comercial

Déficit nas transações externas é recorde

por André Siqueira — publicado 21/09/2010 17h21, última modificação 21/09/2010 17h21
De acordo com o BC, a trajetória de deterioração nas contas “não é explosiva”

De acordo com o BC, a trajetória de deterioração nas contas “não é explosiva”

O déficit nas transações correntes brasileiras voltou a crescer em agosto e deverá chegar a 49 bilhões de dólares em 2010, o equivalente a 2,49% do PIB. No acumulado de 12 meses, o valor atingiu o recorde de 45,8 bilhões de dólares, ou 2,32% do PIB. Embora a tendência seja de crescimento, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou que a evolução “não é algo explosivo”. “Já tivemos valores mais elevados no passado, quando tínhamos uma carga de juros mais elevada”, explicou.

Contribuem para a saída acentuada de dólares do País – o resultado líquido em agosto foi negativo em 2,86 bilhões de dólares – o aumento das importações, as remessas de lucros e dividendos e os gastos de empresas e turistas com a compra de bens e serviços no exterior.

A expectativa de déficit também foi influenciada pela revisão, para baixo, da previsão de investimentos estrangeiros diretos neste ano. Segundo o BC, deverão ingressar no País 30 bilhões de dólares em investimentos, ante 38 bilhões de dólares na última estimativa. “Estes projetos não foram abortados, foram postergados”, disse Lopes. A entrada dos recursos estaria condicionada ao ritmo de recuperação da economia internacional. Os adiamentos ocorreram em setores como metalurgia, petróleo e produção de automóveis.

De acordo com o especialista em contas públicas Amir Khair, a tendência de longo prazo é de redução do déficit, seja por conta da queda da taxa básica de juros ou da valorização das commodities, principais produtos da pauta de exportação brasileira. “Os ingredientes se conjugam de maneira positiva, mas não convém perder de vista que a valorização cambial está na raiz dos problemas nas contas externas e deve ser enfrentada pelo governo”, afirma.