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De olho na porteira

por André Siqueira — publicado 02/02/2009 15h33, última modificação 20/09/2010 15h35
O Fórum Econômico Mundial trouxe à tona um assunto que, não sei se mais ou menos cedo, ia dominar de qualquer jeito o debate internacional. O protecionismo comercial é um efeito bastante previsível de uma crise financeira das atuais proporções. O problema é que olhamos muito para fora – ou seja, para onde podemos deixar de exportar – e nos esquecemos de checar nossas próprias porteiras. Ou, quando o fazemos, é de um jeito estouvado, como mostrou o lamentável episódio das licenças prévias de importação, protagonizado pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.

O Fórum Econômico Mundial trouxe à tona um assunto que, não sei se mais ou menos cedo, ia dominar de qualquer jeito o debate internacional. O protecionismo comercial é um efeito bastante previsível de uma crise financeira das atuais proporções. O problema é que olhamos muito para fora – ou seja, para onde podemos deixar de exportar – e nos esquecemos de checar nossas próprias porteiras. Ou, quando o fazemos, é de um jeito estouvado, como mostrou o lamentável episódio das licenças prévias de importação, protagonizado pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.

Usar a barreira burocrática para brecar as importações foi uma ideia tosca, que uniu esquerda, direita, indústria, sindicatos em uma chiadeira uníssona. Consegui, entretanto, encontrar alguém que enxergou um aspecto ainda pior na medida do ministro/jornalista. O empresário em questão argumenta que o Brasil queimou um cartucho que poderia ser usado, pontual e eventualmente, para proteger os segmentos mais duramente atingidos pelo chumbo grosso que vem por aí.

Basta lembrar que chineses e indianos literalmente pagam pelo acesso a mercados, cientes do valor que tem cada emprego industrial em países com mais de 1 bilhão de habitantes. Na próxima edição de CartaCapital, conto a história dessa grande empresa brasileira, na iminência de fechar uma fábrica por não conseguir brigar com os importados, que chegam aqui quase ao preço da matéria-prima.

O caso de dumping foi levado aos técnicos do MDIC, mas lá se vai um ano sem que uma barreira seja erguida para proteger o segmento. Pior, trata-se de uma cadeia inteira desprotegida, como verá o leitor.

Enquanto oscilamos entre o 8 e o 80 na proteção às nossas fronteiras, os asiáticos lançam olhares cobiçosos para o grande, e não tão retraído, mercado brasileiro. Se uma fração do que esses países exportam, e vão deixar de exportar, para os EUA e a Europa vier parar por aqui, com os preços deprimidos, o estrago pode ser grande.