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CUT e Abimaq contra as demissões

por André Siqueira — publicado 29/01/2009 15h35, última modificação 20/09/2010 15h36
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq) vão divulgar amanhã uma proposta que pretendem levar ao governo para evitar demissões nas 4 mil empresas do setor. A idéia não é tão nova: os empresários vão insistir no pedido de cortes nos impostos que incidem sobre a fabricação de bens de capital. Só que, desta vez, oferecendo como contrapartida a manutenção de postos de trabalho, enquanto durar a medida. O acordo foi costurado em um encontro recente do presidente da CUT, Arthur Henrique Silva, com o da Abimaq, Luis Aubert

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq) vão divulgar amanhã uma proposta que pretendem levar ao governo para evitar demissões nas 4 mil empresas do setor. A idéia não é tão nova: os empresários vão insistir no pedido de cortes nos impostos que incidem sobre a fabricação de bens de capital. Só que, desta vez, oferecendo como contrapartida a manutenção de postos de trabalho, enquanto durar a medida. O acordo foi costurado em um encontro recente do presidente da CUT, Arthur Henrique Silva, com o da Abimaq, Luis Aubert 
A proposta não é exatamente o que pretendia o presidente Lula, que tem sugerido entendimentos diretos entre patrões e empregados. E ainda traz uma polêmica adicional: contenta ambos os lados, mas deixa a conta para o governo. O que se pretende em isenções de tributos não é pouco. Os fabricantes de máquinas querem que os produtos vendidos dentro do Brasil recebam tratamento igual ao das exportações, que não pagam a maioria das taxas federais.

O pleito é bem antigo, e gerou até um mantra para a Abimaq: “O Brasil é o único país no mundo que tributa bens de capital.” A reclamação é justa, se lembrarmos que os bens de capital estão diretamente relacionados ao desenvolvimento econômico – são eles que permitem a ampliação de capacidade na indústria. Por isso mesmo, quem terá a coragem, uma vez passada a crise, de retirar os benefícios concedidos ao setor?

De qualquer modo, o acordo CUT/Abimaq ainda soa melhor do que a proposta que a rival Força Sindical tenta costurar com a Fiesp. Nesse caso, os trabalhadores abrem mão de salários, enquanto as empresas reduzem a produção. A redução nas demissões fica apenas subentendida.

É o tipo de acordo que remonta às origens da segunda maior central de trabalhadores do País, nos anos 90. Naquela época, um sindicato filiado à Força Sindical era o sonho de quem comprava uma estatal. Nada de greve, nada de protesto contra a demissões. A promessa era: quando a empresa voltar a dar lucro, todos vão ganhar melhor e muito mais gente será empregada. Impossível acreditar que, tanto tempo depois, Paulinho e companhia continuem a cair, inocentemente, no mesmo logro.