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Economia

Copom vê risco de inflação, mas compulsório segura juros

por Brasil Econômico — publicado 16/12/2010 11h18, última modificação 16/12/2010 11h18
A ata da última reunião do Copom apontou que, embora o cenário de inflação esteja "menos favorável", as recentes medidas macroprudenciais do BC justificam a manutenção da Selic

A ata da última reunião do Copom apontou que, embora o cenário de inflação esteja "menos favorável", as recentes medidas macroprudenciais do BC justificam a manutenção da Selic

"A análise de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, no cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar valores correntes e passados para essa variável", afirmou o documento do Banco Central (BC).

A autoridade monetária admitiu que a inflação foi forte, influenciada pelos preços de alimentos que, em parte, repercutiram "choques de oferta domésticos e externos".

Ainda assim, as recentes medidas do BC de aumento do compulsório e de requerimento de capital para empréstimos de longo prazo serviram como principal justificativa para a decisão de manter a taxa Selic em 10,75% ao ano.

"Prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias", afirma a ata.

Além disso, para o Copom, o último ciclo de aumento da taxa básica de juros, interrompido em julho de 2010, ainda não foi totalmente transmitidos aos preços. O comitê também prevê uma moderação no ritmo de expansão do crédito, com efeitos positivos para a inflação.

Segundo o documento, tanto as ações macroprudenciais quanto a administração das taxas de juros possuem efeito sobre a inflação, mas "não há respaldo para que esses dois conjuntos de instrumentos sejam vistos como substitutos perfeitos, pois divergem, entre outros aspectos, no alcance e nos mecanismos de transmissão".

Previsões de preços

O comitê ainda elevou a projeção de reajuste nos preços da gasolina e do gás de cozinha.

Segundo o documento, os preços da gasolina devem subir 1,6% no acumulado de 2010, enquanto o gás deve ter alta de 1,7%. Em outubro, a previsão era de variação nula para ambos os preços.

Para os preços administrados (como tarifas de eletricidade, telefonia e transporte público), a previsão foi reduzida de 3,6% para 3,4%. Para 2011, a alta desses preços deve atingir 4%.

O documento prevê um reajuste de 0,4% para as tarifas de eletricidade em 2010, e 2,8% em 2011. Já os serviços de telefonia devem ter alta de 0,4% neste ano e 2,9% no ano que vem.

O Copom considera a possibilidade de que o governo não cumpra a meta de superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

O comitê admite que o superávit possa ficar 0,9 ponto percentual abaixo da meta, "em virtude da implementação dos projetos vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)", afirma o documento. De acordo com a ata, a conta de restos a pagar de 2009 para o programa deve reduzir o superávit em 0,44 ponto percentual do PIB.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária será em 18 e 19 de janeiro.

*Publicada orginalmente no Brasil Econômico