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Economia

Diálogos Capitais

Copa do Mundo de 2014, Olimpíada de 2016 e os gargalos da nossa infraestrutura

por Bruno Huberman — publicado 07/12/2010 13h10, última modificação 06/06/2015 18h17
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, apresentou plano bilionário para Copa do Mundo e Olimpiada. Odebrecht prevê que o Mundial pode ter redução do número de sedes para 8
2014, 2016 e os gargalos da nossa infraestrutura

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, apresentou plano bilionário para Copa do Mundo e Olimpiada. Odebrecht prevê que o Mundial pode ter redução do número de sedes de 12 para oito. Foto: Bruno Huberman

Nesta terça-feira 7 acontece o segundo dia de debates dos Diálogos Capitais sobre o “2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento”. A primeira mesa contou com a presença do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e tratou da “Copa do Mundo de 2014, Olimpíada de 2016 e os gargalos da nossa infraestrutura.” Também participaram o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva Jr., Mario Moysés, presidente da Embratur, o deputado federal PSDB-SP, Silvio Torres, diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Infraero, Jaime Henrique Caldas Parreira e o presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios (ABMN), Dudu Godoy.

A conferência do presidente do BNDES seguiu a linha desenvolvimentista da fala do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no . Apresentou o grande crescimento que o Brasil teve nos últimos anos, economicamente e socialmente, e salientou que a “a Copa e a Olimpíada são uma oportunidade para impulsionar o crescimento virtuoso.” Para tanto, o BNDES disponibilizou 2 bilhões de reais para a reforma do setor hoteleiro, 1,5 bilhão para o PAC 2 que tem a mobilidade urbano como ênfase e 6,4 bilhões para as reformas e construções dos estádios para a Mundial. Para a Olimpíada são esperados mais 28,8 bilhões de reais para a adequação do Rio de Janeiro para os Jogos. Fora outros bilionários investimentos no Programa Nacional de Banda Larga, na construção de duas das três maiores hidrelétricas do mundo e outras alternativas energéticas e no trem bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, que seria apenas para 2016.

Os bilhões de reais disponibilizados pelo BNDES para esses megaeventos esportivos fazem parte dos planos econômicos do governo de impulsionar o crescimento, mas com uma maior presença do setor privado. Coutinho defende uma mudança da curva de juros para um padrão mais “civilizado” para criar condições de expansão do crédito de capitais privado. A expectativa do BNDES é que o crédito continue seu constante crescimento e represente 70% do PIB em 2014.

Benedicto Barbosa, da Odebrecht, chamou atenção para a falta de mão de obra qualificada. A empresa é a responsável pela construção de quatro arenas para  Copa e já encontraram dificuldade para encontrar trabalhadores competentes para as obras. Mario Moysés, da Embratur, atentou para a adequação dos serviços corriqueiros para os turistas estrangeiros, como criar novas opções de linguagem nos caixas eletrônicos.

O deputado Silvio Torres, que faz parte do comitê de fiscalização dos megaeventos esportivos na Câmara, chamou atenção para dois problemas estruturais: os aeroportos, que estão esgotados, e os estádios. Torres lembrou de algumas arenas que estão com as obras muito atrasadas, como a de Natal, que sequer tem terreno e sua licitação foi novamente postergada. A Odebrecht prevê que haverá uma diminuição do número de arenas para a Copa, chegando a oito ou dez estádios, revelou Barbosa.

Quantos aos aeroportos, Jaime Henrique, da Infraero, apresentou um plano de reformas e adequação dos 16 aeroportos das 12 cidades-sede do Mundial a um custo de 6 bilhões de reais. As situações mais urgentes são dos aeroportos de São Paulo, onde está prevista a construção de um terceiro terminal para o aeroporto de Guarulhos, mas que não ficaria pronto a tempo para a Copa. Outras adequações como agilizar o desembarque aduaneiro e alfandegário e otimizar o lay out das companhias aéreas são tão importantes quanto as reformas estruturais”, diz Henrique.

Dudu Godoy, da ABMN, revelou sua preocupação com a falta de projetos publicitários para os megaeventos esportivos nas falas de seus colegas de discussão. Godoy lembra que uma boa publicidade que exalte as qualidades dos eventos no Brasil e no exterior é importante para quando surgirem os pontos negativos, estes não serem tão impactantes. Os 50 milhões previstos pela Embratur para publicidade nacional e internacional “não dão para fazer propaganda nem na América do Sul, oxalá nos EUA e na Europa.” Ele também chamou atenção para as rígidas regras da Fifa quanto a propaganda das patrocinadoras oficias do evento.

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