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Consumo da classe D irá superar R$ 400 bilhões em 2012

por Brasil Econômico — publicado 02/11/2011 16h35, última modificação 02/11/2011 16h35
Capacidade financeira desse estrato social já supera o da classe B e representa 15% do total de consumo dos brasileiros. Aumento no salário mínimo é principal causa desse crescimento

Por Cláudia Bredarioli*

Os próximos dois anos devem apontar para uma condição inédita de aumento do consumo no Brasil: pessoas que há pouco mais de uma década viviam em condições de privação quase completa poderão sustentar boa parte do crescimento da atividade econômica no país.

Hoje, com o aumento da renda a classe D, pessoas que ganham entre R$ 705 a R$ 1.126 - pouco mais de dois salários mínimos, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV) - ganha espaço e deve ser o próximo estrato social a mostrar grande poder de compra já a partir do ano que vem, superando inclusive a classe B.

Cálculos do Brasil Econômico apontam que o potencial de consumo desta fatia de brasileiros irá ultrapassar a marca de R$ 400 bilhões no Brasil em 2012. Isso representa um avanço de 15% em relação a 2010.

Se levarmos em conta os R$ 2,5 trilhões consumidos pelos brasileiros neste ano, segundo cálculos da IPC Marketing, o valor já se aproxima de um quinto do total.

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Uma das razões é que, em 2012, o salário mínimo - referência de renda para boa parte dessa parcela social - terá reajuste de mais de 13%.

A população já percebe essa realidade no bolso. Moradora de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, a diarista Maria Madalena da Silva Reis fica satisfeita ao perceber que atualmente consegue ter acesso a muito mais itens do que há dez anos.

"Antes a gente ganhava para comer e agora dá para comprar um sapato, uma roupinha. Ficou possível comprar muita coisa com o nosso salário", diz. A facilidade trazida com o uso de meios de pagamento como cartão de crédito também contribui.

"Costumo pagar o mercado em duas vezes para criar oportunidade de quitar logo e poder comprar de novo". Com quatro filhos, ela conta que só o mais novo ainda não tem seu próprio cartão. Mas, para todos eles, quitar a fatura em dia é sagrado. "Se eu perceber que não vou conseguir pagar, nem compro".

Para Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, esse processo de erradicação da miséria permite prever que até 2014 é possível que o Brasil realmente veja a classe E ser extinta.

Além disso, as possibilidades de ascensão social, segundo ele, também têm sido cada vez mais ampliadas nos estratos mais baixos da população. "Há cerca de 800 mil novos universitários na classe D. Há muita gente entrando no mercado de trabalho com empregos formais. E a proporção desses dois indicadores cresce mais na classe D no que nas demais"

Em razão dessas e de outras evoluções, Cláudio Silveira, sócio-diretor da Quorum Brasil, prevê que daqui a dois anos esse estrato social terá um desenho completamente diferente do atual.

Para ele, trata-se de um perfil de consumo muito divergente do da classe C, tanto em relação às preferências de aquisição quanto aos hábitos de pagamento."Parece que eles aprenderam com a classe C o que não devem fazer. Enquanto mais da metade da classe C tem o rendimento comprometido com financiamentos ou está endividada, a classe D tem a preocupação constante de ter o nome limpo", diz.

Além disso, em vez de procurarem produtos eletrônicos portáteis, CDs, DVDs ou fazerem compra pela internet, os brasileiros da classe D tendem a dar prioridade a bens que aumentem o conforto de suas casas.

Mesmo assim, segundo Silveira, 60% deles já conseguiram comprar um carro novo e 72% querem adquirir um imóvel. "Eles têm muitas necessidade a serem supridas e sabem que não podem errar nas suas aquisições, pois não terão dinheiro suficiente para outra compra. Por isso, não querem porcaria."

*Matéria publicada originalmente no Brasil Econômico