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Consumamos mais, consumamos

por Paulo Daniel — publicado 07/05/2012 16h05, última modificação 07/05/2012 16h05
No capitalismo brasileiro, além de aumentar o consumo o governo precisa discutir e planejar o que consumir

O consumo pode ser compreendido como a utilização de um determinado bem ou serviço por um indivíduo ou uma empresa. É o objetivo e a fase final do processo produtivo, precedida pelas etapas de fabricação, armazenagem, embalagem, distribuição e comercialização. Numa sociedade em que a divisão social e técnica é relativamente complexa, a apropriação e a transformação dos elementos da natureza são separadas, no tempo e no espaço, de seu uso para a satisfação de necessidades humanas.

Segundo Marx, a mais importante característica do capitalismo é ser um modo de produção de mercadorias. A mercadoria se apresenta, portanto, como o principal elemento universal na sociedade burguesa e serve de mediação a todas as relações sociais. Em O Capital, Marx procura mostrar que a mercadoria tem duplo aspecto: ela é ao mesmo tempo valor de uso e valor de troca. Isto é, destina-se a atender a uma necessidade humana (valor de uso), mas sua principal destinação, no capitalismo, é o mercado, no qual se realiza seu valor de troca.

Já para Keynes, a determinação da renda e do produto, é intimamente dependente do comportamento do investimento, entretanto, constatou que este depende de variáveis extremamente sujeitas à flutuação, devido às sempre incertezas em relação ao futuro. Para tanto, o que pode ser um diferencial no sentido de alavancar a renda e os investimentos em uma determinada economia é o consumo, principalmente o consumo que se pode chamar de autônomo, aquele que não sofre grandes interferências da renda, neste sentido, o consumo será o condutor do aumento do nível de investimento e da renda.

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Além do que, é importante lembrar, também cabe ao governo contribuir para elevar o nível de renda em que opera a economia, com a elevação de seu consumo ou gastos estatais. Em determinados momentos em que o investimento insista em manter-se deprimido e em que os estímulos advindos de fora da economia não sejam suficientes para evitar o desemprego, só o governo tem condição de retirar a economia de tal situação. Ao aumentar seus gastos, promoverá, consequentemente, uma elevação no nível de renda e do produto, que poderá, inclusive, reverter as expectativas pessimistas quanto ao futuro e, assim, recuperar, em um curto espaço de tempo, o próprio nível de investimento.

No Brasil, para 2012, há uma expectativa de consumo de bens e serviços em torno de 1,3 trilhão de reais equivalente a 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Neste cenário, o Nordeste e o Norte se destacam. Enquanto a primeira região tem potencial de expansão do consumo estimado em 24,1%, a segunda deve ficar por volta dos 26,5%. Logo atrás vêm as regiões Sul (19,7%), Centro-Oeste (19,4%) e Sudeste (6,5%). Mas, vale lembrar que a área do país com maior consumo ainda é, de longe, a região Sudeste, com 42% da população e 53,5% do consumo, seguida pela região Sul, com 14,3% da população e  16,4% do consumo.

Portanto, não precisa ser nenhum vidente: qualquer consumo externo ou qualquer tipo de importação agrega renda ao país estrangeiro e não, nesse caso, ao Brasil. Por isso, além de aumentarmos o consumo, seria mais do que interessante discutir e planejar o que consumir, pois no capitalismo brasileiro, como estamos observando, o governo tem amplos poderes em direcionar não só através de gastos do Estado, mas também na indução do consumo das famílias.

No capitalismo, é essencial que a maioria das famílias consuma minimamente o necessário para sua subsistência. Para tanto, a infraestrutura é primordial, como energia, comunicação, transportes etc. Se quisermos, realmente, ampliar o capitalismo brasileiro o consumo dos(as) brasileiros(as) precisa ser ampliado, não somente na facilitação ao crédito, mas também no nível de renda, além de incentivos a indústria local para o desenvolvimento de novas tecnologias, novos produtos, e não montagem, como geralmente está ocorrendo. Neste sentido, não nos iludamos, o Estado sempre foi o indutor e regulador desse processo. Para quem imagina que o mercado tem capacidade de desenvolver esse processo, basta lembrar o que foi a década de 90 e meados de 2000, tanto no Brasil, quanto na América Latina.

Por fim, o Brasil precisa inserir mais famílias nesse amontoado de mercadorias que é o capitalismo, para inclusive crescer e desenvolver. No entanto, não se pode fazer isso sem a dita cuja educação formal e informal, para que no futuro imediato, após se esbaldar no consumo, possa, minimamente, discutir as utilidades e os reais valores das mercadorias que nos cercam.