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Congressistas tentam acordo a poucas horas para calote dos EUA

por AFP — publicado 16/10/2013 10h56, última modificação 28/11/2013 17h20
Se o impasse permanecer, a maior economia do mundo pode perder a capacidade de honrar suas dívidas e provocar uma crise mundial
Mandel Ngan / AFP
Barack Obama

O presidente dos EUA, Barack Obama, durante reunião com senadores democratas na Casa Branca. O diálogo com o Partido Republicano vai muito mal

O Congresso americano dispõe de poucas horas nesta quarta-feira 16 para afastar o fantasma de uma crise mundial provocada por uma possível interrupção dos pagamentos das dívidas do país.

A agência de classificação Fitch alertou que poderá rebaixar a nota do país. Salvo um acordo de última hora, a primeira economia mundial entrará numa zona tão inédita quanto perigosa na meia-noite desta quarta-feira (01h00 de quinta-feira, horário de Brasília), quando o Tesouro ficará praticamente sem recursos para cumprir com seus compromissos junto aos credores.

Em uma data difícil de prever, mas que poderá ocorrer entre 22 e 31 de outubro, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, os Estados Unidos já não poderão honrar com os pagamentos programados, pela primeira vez em sua história. Tal perda de confiança poderá colocar em jogo a sorte do dólar, moeda de reserva mundial, e a dos bônus do Tesouro, considerados os mais seguros do planeta.

Em função disso, a agência de classificação de risco de crédito Fitch colocou a nota dos Estados Unidos em perspectiva negativa depois que o Congresso fracassou em entrar em acordo sobre um aumento do teto da dívida do país.

A Fitch atribuiu perspectiva negativa à nota AAA (máxima) da dívida soberana de longo prazo dos EUA, citando a possibilidade de o Tesouro entrar em 'default', se o teto da dívida não for elevado. "O secretário do Tesouro (Jacob Lew) disse que as medidas extraordinárias (que permitem o governo federal funcionar após superar seu limite de endividamento) terminarão no dia 17 de outubro" e os fundos que ficarão em caixa serão de apenas 30 bilhões de dólares, destacou a Fitch. "Apesar de a Fitch continuar acreditando que o teto da dívida será aumentado em breve", o bloqueio político "e uma flexibilidade financeira reduzida pode aumentar o risco de um 'default' dos Estados Unidos", concluiu.

A administração do presidente democrata, Barack Obama, reagiu ao anúncio afirmando que ele "reflete a urgência com a qual o Congresso deve atuar para afastar a ameaça de 'default' que pesa sobre nossa economia". "O anúncio mostra que a decisão da Fitch está relacionada apenas às negociações políticas e não às condições econômicas dos Estados Unidos", destacou um porta-voz do Tesouro.

A Fitch destaca que "as prolongadas negociações sobre o limite da dívida, após o episódio de agosto de 2011, podem minar a confiança no papel do dólar como principal moeda de reserva", mas a agência destaca que as bases da economia americana são "sólidas".

Na noite de terça, ao final de uma jornada caótica que refletiu as profundas divisões partidárias em Washington, os republicanos, que dominam a Câmara de Representantes, não quiseram submeter à votação um projeto para elevar o limite da dívida e por fim à paralisia do Estado federal, na ausência de apoio de influentes congressistas do radical Tea Party. A Casa Branca havia rejeitado um plano dos republicanos da Câmara de Representantes com condições, acusando os adversários de apresentar uma proposta "para satisfazer um pequeno número de republicanos do (ultraconservador) Tea Party, os mesmos que determinaram a paralisia do Estado".

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