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Concentração à vista

por Gerson Freitas Jr — publicado 01/02/2011 09h30, última modificação 04/02/2011 16h27
O número de fusões e aquisições no setor de petróleo e gás bate recorde

O número de fusões e aquisições no setor de petróleo e gás bate recorde

O setor de petróleo e gás do Brasil teve em 2010 o ano mais movimentado de sua história. As perspectivas criadas em torno do pré-sal, a decisão do governo de privilegiar os bens e serviços produzidos no País e o apetite dos chineses por ativos estratégicos fizeram com que o número de fusões e aquisições do setor batesse recorde. Entre janeiro e dezembro, registraram-se 34 acordos entre empresas ligadas à cadeia. Em 2009, tinham sido apenas nove. De acordo com a consultoria KPMG, responsável pelo levantamento, o número superou em 30% o recorde anterior, que não era ameaçado desde 2002.

O aquecimento dos negócios reflete, em boa parte, a empolgação dos investidores estrangeiros com as oportunidades surgidas no Brasil após a descoberta do pré-sal, bem como a escalada nos preços internacionais do petróleo. A China puxou o movimento, tendo patrocinado as duas maiores aquisições desse setor no ano passado. Em outubro, a Sinopec anunciou sua entrada no capital da Repsol do Brasil, pela qual desembolsou 7,1 bilhões de dólares. Com a transação, concluída dois meses mais tarde, a companhia chinesa passou a deter 40% da subsidiária da petroleira espanhola no Brasil. Em maio, outra petroleira chinesa, a Sinochem, adquiriu 40% do campo de Peregrino junto à norueguesa Stateoil, por 3,07 bilhões de dólares. Com isso, passou a ter acesso a uma reserva estimada em 2,5 bilhões de barris de óleo.

As duas transações responderam por mais da metade dos investimentos chineses no Brasil em 2010, avaliados em quase 20 bilhões de dólares, e ao menos um sexto de todos os investimentos produtivos da China no mundo, que alcançaram a cifra recorde de 59 bilhões de dólares. Comenta-se que a Sinopec teria ainda interesse em comprar a participação de 20% a 30% dos ativos que a OGX, do magnata Eike Batista, pretende vender na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, quando começar a produzir. O movimento reflete a corrida da China por ativos considerados estratégicos para sustentar o crescimento da segunda maior economia do mundo. Em todo o mundo, as estatais chinesas avançam sobre empresas nos setores de energia, mineração e alimentos.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 632, já nas bancas.