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Coluna Econômica

Como as cidades deverão planejar seu futuro

por Luis Nassif publicado 09/08/2012 11h59, última modificação 09/08/2012 12h11
É preciso ampliar os grupos de discussão entre o poder público e o privado e mapear as estratégias para novos investimentos

Recebo telefonema de um grupo de jovens empresários de Araçatuba, abrigados no CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e interessados na série que escrevi sobre o novo desenvolvimentismo e o papel do Estado.

Nos últimos anos consolidou-se a percepção de que Araçatuba pode ter perdido o bonde do desenvolvimento. Tradicional polo pecuário, com o tempo o preço da terra expulsou a pecuária para Mato Grosso, em seu lugar entrou a cana. Com ela, uma reviravolta na economia mais tradicional. Parte dos pecuaristas alocou terras para as usinas, passando a viver de mesada; parte entrou em novos negócios, especialmente o imobiliário.

Por razões variadas, a cidade estagnou. Ficou em 200 mil habitantes, e como polo de uma região de 400 mil.

O que fazer para recuperar a pujança?

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O episódio é importante para se lembrar alguns conceitos dos anos 90, muitos deles inspirados no modelo dos “clusters” da Itália.

O tiro de partida já foi dado – um grupo de empresários dispostos a discutir a vocação regional.

O segundo passo é o mapeamento das novas vocações. Nos últimos anos começou um polo moveleiro e um têxtil, ainda incipientes. Na região econômica de Araçatuba há o polo calçadista de Birigui – que, na grande crise de 1995, tornou-se modelo nacional de reação inovadora.

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É importante levantar as vantagens comparativas da região.

A principal delas é a logística. Araçatuba é passagem para toda a produção paulista que chega a Mato Grosso. É atravessada para Rodovia Rondon, duplicada, que a liga a Três Lagoas e Campo Grande. Tem ferrovia, um porto intermodal de grande porte e um aeroporto regional que movimenta 500 passageiros/dia.

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Depois, fatores que abrirão novas possibilidades.

Nos próximos anos a Petrobrás investirá R$ 500 milhões na região, em um alcoolduto e em um estaleiro que produzirá barcaças para o transporte de etanol pela hidrovia do Tietê.

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É aí que entram fatores pouco analisados pelos macroeconomistas: a capacidade de articular parcerias e se valer da estrutura de apoio que o país hoje dispõe – algo que seria impensável duas décadas atrás.

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Antecipo pontos da palestra que irei proferir na cidade na próxima semana e que vale para qualquer cidade média.

Ponto 1 – ampliar os grupos de discussão para a prefeitura e associações da cidade.

Ponto 2 - aproveitar o imenso know-how da Petrobras para pensar planejamento estratégico sobre as possibilidades abertas pelos novos investimentos. Inclusive para bancar uma consultoria que mapeie os novos negócios que poderão surgir, além das oportunidades geradas pela posição estratégica na logística.

Ponto 3 – parceria com o Movimento Empresarial pela Inovação para um conjunto de trabalhos junto aos novos empreendedores, orientando-os sobre como aproveitar as novas possibilidades. Envolver Fapesp e IPT nesse trabalho.

Ponto 4 – parceria da prefeitura com o Movimento Brasil Competitivo e com o Sebrae, para torná-la um agente ativo do empreendedorismo municipal.

Ponto 5 – a partir desse conjunto de estudos, a definição de uma carteira de projetos, montada com o apoio do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). E um trabalho com empresários da região para assumirem projetos sozinhos ou consorciados.

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