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Crise econômica

Cobrar imposto sobre exportações do agronegócio é mexer em vespeiro

por Rui Daher publicado 04/02/2016 20h06, última modificação 06/02/2016 08h39
Quando a economia de um país começa a passar por perrengues mais sérios, o governo procura tachos para raspar e bolsos para repelar
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O agronegócio é uma das poucas atividades que ainda vai bem na economia

Algo aconteceu há uma semana e fez o dólar atingir R$ 4,16. Fez-se o pânico. Nem me lembro mais o que foi. Parece que o Banco Central, de forma inédita, manteve a taxa Selic ou a bolsa chinesa despencou como um bêbado sem equilíbrio. Coisas que causam forte gritaria dos “austeróides” em suas folhas e telas Associadas. Volta, Chatô!

Pedi que ficassem calmos. Voltaria para onde deverá ficar. Taí.

Para a agropecuária, anunciaram situações climáticas tenebrosas. Pedi que não se afobassem. Viriam, mas como diziam meus pais, “o Brasil é grande”. Os prognósticos são recordistas. A conceituada revista Globo Rural faz capa: “Safra recorde mostra a raça do campo”.

Advertimos que chegara a época veranista da gangorra anual dos preços dos hortifrútis. Donas-de-casa, rapazes solitários e moças liberadas nem mais precisam esperar os graves olhares de William e Renata, sabem que isso se repete há décadas, como os tediosos desfiles de escolas de samba. Vão logo evitando alegorias luxuosas.  

Voltei do Vale do São Francisco falando das chuvas e da prosperidade produtiva e cambial. O jornal Valor publica, logo em seguida, matéria confirmando o fato (não cito mais data, coisa nenhuma, de publicação que não permite acesso de reprodução nem para seus assinantes).

Mencionei assentamentos produtivos, em Petrolina (PE). O Globo Rural, agora o da TV, domingo passado, mostrou tais sucessos.

Em outro site para o qual escrevo, na levada do filósofo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), afirmei ser a generalização da meritocracia a mística que justifica a desigualdade e demoniza a política de cotas.

O economista Ricardo Paes de Barros (Instituto Ayrton Senna e Insper) corrobora: “Sem igualdade de oportunidade, não há meritocracia”. Diz ser essa generalização “uma piada”. Alguma dúvida?

Sendo assim, penso justo pedir aumento de salário a quem de direito na melhor revista semanal e site do Brasil (quem sabe cola?): de zero para zero com louvor.

Andanças capitais

Vixe sô, voltei a mil para 2016. Triângulo Mineiro, Vale do São Francisco, Rio de Piracicaba, já relatados.

Esta semana começou no domingo, com a 33ª Shin-Nem-Em-Kai, festa entre amigos produtores agrícolas da colônia japonesa, no subdistrito de Brigadeiro Tobias, Sorocaba.

Na festa, como nas demais visitas, cada vez me convenço mais de que a agropecuária e o agronegócio estão entre os principais exterminadores de estereótipos da economia brasileira.

Entre diversificada olericultura, quinze produtores de alcachofras. Ninguém se queixou da “dura lida da vida de trabalhador rural”. Queriam saber de inovações tecnológicas eficazes, não tóxicas e de baixo custo. Bons carros, roupas, comidas e um bingo beneficente para compensar o que o urbano teima em não realizar.

Em Bragança Paulista, visitei fábrica de insumos orgânicos e fui apresentado ao Galopé (frango caipira com pé de porco – receita no meu blog em Luís Nassif Online).

“Pedra Grande Produtos Orgânicos”, uma fábrica levada a muque com sucesso, em Guarapirocaba/SP. Conhecem?

Agora estou em Cascavel (PR), para o Show Rural 2016, promovido pela Coopavel, que está entre as 300 maiores empresas brasileiras, as 50 da região Sul, e as 10 cooperativas.

Há 28 anos, em fevereiro, organiza o Show Rural, evento de 5 dias, eminentemente tecnológico, com cerca de 500 expositores, 250 mil visitantes, e vasta programação de palestras inovadoras.

Logo na entrada, se nota uma diferença em relação ao megaevento paulista, o Agrishow, de Ribeirão Preto (SP). Entrada e estacionamento são gratuitos.

Outra diferença está na extensão de áreas plantadas com experimentos comparativos de tratamentos e manejos, todos desenvolvidos pelos técnicos da cooperativa durante o ano para serem apresentados na exposição.

Imposto sobre exportações do agronegócio

Quando a economia de um país começa a passar por perrengues mais sérios, o governo procura tachos para raspar e bolsos para repelar.

É o temor atual do agronegócio brasileiro. Na condição de uma das poucas atividades que ainda vai bem na economia, o governo estuda dar uma garfada no setor exportador. Algo parecido com o que Cristina fez na Argentina e não deu em coisa fina.

Cobrar 2,6% sobre todo o volume exportado, como contribuição ao INSS, em momento de incertezas causadas pelas quedas nos preços das commodities, é mexer em vespeiro agitado.

Melhor pensar. Não dói. 

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