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Economia

Previsão

CNI prevê crescimento de 4,5% do PIB brasileiro em 2011

por Brasil Econômico — publicado 14/12/2010 17h15, última modificação 14/12/2010 17h15
O menor ritmo de aumento do consumo interno fará a economia brasileira crescer menos em 2011, com 4,5%, contra uma estimativa de expansão de 7,6% este ano

Texto publicado originalmente no Brasil Econômico

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o fim das desonerações tributárias adotadas para atenuar os efeitos da crise econômica e do Programa de Sustentação do Investimento do BNDES e as restrições ao crédito ao consumidor, determinadas no início do mês pelo Banco Central, diminuirão o ritmo de expansão do consumo em 2011.

O consumo das famílias, que deverá crescer 7,9% este ano, pelas previsões da CNI, se expandirá 5,1% em 2011. Este foi o principal fator responsável pela elevação de 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, "o mais expressivo da década", como destaca o Informe Conjuntural da instituição, divulgado nesta terça-feira (14/12).

"Passadas a crise financeira e a euforia da recuperação vista no início do ano, a economia brasileira caminha em uma trajetória de convergência ao seu potencial de crescimento", assinala o estudo da CNI. O gerente da Unidade de Política Econômica da entidade, Flávio Castelo Branco, que divulgou o estudo, frisou que "o Brasil vai ter outro ano positivo em 2011, mas em ritmo menor".

Indústria também cresce menos
Outros indicadores registrarão igual desaceleração no próximo ano, conforme as estimativas da entidade. A indústria, cujo PIB deve fechar este ano com um incremento de 10,9%, irá aumentar 4,5%, enquanto os investimentos, outro fator de grande peso na expansão do PIB e que se expandirão 24,5%, devem reduzir o crescimento quase à metade em 2011, com um aumento de 13,5%.

A inflação, que deve atingir 5,8% este ano, bem acima do centro da meta inflacionária, de 4,5%, cairá a 5% em 2011, prevê a CNI. A taxa nominal de juros subirá de 10,75% este ano para 12% em 2011, enquanto o juro médio real se elevará de 4,6% para 6,3%. A taxa de desemprego irá diminuir em quase um ponto percentual, refluindo de 6,8% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2010 para 6% no ano que vem.

A edição especial do Informe Conjuntural prevê que o déficit público nominal crescerá de 2,9% do PIB, este ano, para 3,2% em 2011, e o superávit público primário (economia do governo para pagar juros da dívida) cairá de 2,3% para 2,2% do PIB. Já a dívida pública líquida registrará ligeiro decréscimo, atingindo 40,8% do PIB em 2010 e 40,4% em 2011.

As exportações, que devem fechar este ano em US$ 198 bilhões, subirão para US$ 228 bilhões no próximo ano, mas a elevada expansão das importações, que passarão de US$ 183 bilhões a US$ 224 bilhões, pela valorização do câmbio, reduzirá drasticamente o saldo comercial.

Prevê a CNI que o superávit da conta de comércio cairá de US$ 15 bilhões este ano para US$ 4 bilhões em 2011. A taxa nominal de câmbio não deve se alterar, permanecendo em R$ 1,70 agora e no final de 2011.

Ameaça
O estudo da CNI alerta para os riscos ao crescimento interno da continuidade da valorização cambial, impulsionada, entre outros fatores, pela alta taxa de juro brasileira, que atrai capitais externos de curto prazo.

A taxa de câmbio acumula uma variação de 28% entre dezembro de 2008 e de 2010, e de 25%, no mesmo período, em relação à cesta de moedas dos 13 principais países parceiros comerciais do Brasil.

"Essa situação é uma ameaça ao processo de crescimento sustentado. A provável alta dos juros, em resposta à aceleração da inflação, irá criar maior pressão sobre o câmbio, exacerbando as dificuldades de competição dos produtos brasileiros", enfatiza o Informe Conjuntural.