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Economia

Reunião G20

Cada um por si

por Luiz Antonio Cintra — publicado 12/11/2010 11h09, última modificação 12/11/2010 15h50
A reunião do G20 tende a produzir o de sempre: declarações genéricas e um documento anódino

A reunião do G20 tende a produzir o de sempre: declarações genéricas e um documento anódino

Passava das duas da manhã da sexta-feira 12, horário de Seul, e não havia clareza entre os representantes dos 20 países sobre alguns pontos do texto final a ser chancelado pelos ministros e chefes de governo no dia seguinte. Havia o receio, segundo disse a CartaCapital um dos representantes brasileiros, de que o documento saísse frouxo demais, o que poderia ter um impacto negativo sobre a opinião pública mundial, ávida por algumas notícias.

As discussões concentravam-se no cabo de guerra entre os países com déficit em suas contas correntes, capitaneados pelos EUA, e os superavitários, China em primeiro lugar. No caso dos emergentes, havia a firme disposição de defender no documento final de forma explícita o direito de os países adotarem políticas econômicas soberanas. Com isso, ficaria em aberto a possibilidade de controle de capitais.

“A esta altura da crise e com os EUA praticamente estatizando o seu sistema financeiro, a ideia de controle de capital já não assusta ninguém. Os EUA seguem a atacar o que consideram a desvalorização excessiva da moeda chinesa”, comenta o representante, “enquanto a China cobra dos EUA a estabilidade monetária que se espera do país emissor da moeda que é referência internacional.”

A jornalistas em Seul, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou a disposição de adotar novas medidas contra a avalanche de dólares que ameaça valorizar ainda mais a moeda brasileira. Mantega também defendeu mudanças no padrão monetário global, dominado pelo dólar, diante da postura defensiva dos EUA. Para Mantega, é hora de o dólar ser substituído por uma cesta de moedas, o que facilitaria a vida dos países em desenvolvimento. Nicolas Sarkozy, que assumirá a presidência do grupo em 2011, já deixou claro que pretende colocar o tema em debate.

Certo é que pegou muito mal a decisão norte-americana de injetar 600 bilhões de dólares em sua economia poucos dias antes do encontro, um sinal claro de que a Casa Branca aposta na tese do “cada um por si”. Na mesa de negociações, essa postura aparece sob o discurso de que o mundo precisa colaborar com os EUA, para o seu próprio bem.

É a velha fórmula de socializar os prejuízos. Desta feita, a conta será repartida por todo o planeta.