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Economia

Análise

'Brasil vive bolha no mercado de trabalho'

por Brasil Econômico — publicado 14/07/2011 14h47, última modificação 14/07/2011 14h48
Para Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes do banco Nomura, muitas contratações, altos salários e baixa produtividade comprometem crescimento

Por Weruska Goeking*

Segundo Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes para as Américas do banco japonês Nomura, muitas contratações, altos salários e baixa produtividade comprometem crescimento do país.

"Temos observado uma queda contínua na taxa de desemprego, mas os dados de produtividade estão caindo e isso está altamente relacionado com o nível de atividade econômica", avalia Volpon.

De acordo com ele, além do aumento do número de contratações, os salários estão maiores, mas a produção está diminuindo. "A produtividade está com crescimento quase zero e o salário têm aumentos de 4,5% em valores reais", explica.

Volpon esclarece que o mercado de trabalho é o último a responder às medidas do governo e registrar uma "virada no ciclo econômico", mas que acredita que esse não é o cenário vivido pelo país atualmente.

Uma das razões que ele cita é o fato de muitos setores se preocuparem mais com eventual escassez de mão de obra, deixando de lado a queda na taxa de crescimento. "Isso é o que eu chamo de bolha", afirma.

"Alguns empresários pensam que essa queda do crescimento não afetará seu negócio e continuam a contratar", afirma.

Volpon diz ainda que a falta de credibilidade da política anti-inflacionária do país tem colaborado para o crescimento da bolha e que Guido Mantega, ministro da Fazenda, dá a entender que "apenas controlar a inflação é o suficiente para o governo".

Ele ainda critica as perspectivas de aumento do salário mínimo em 2012 e diz que a situação é insustentável, já que com a queda no Produto Interno Bruto (PIB), a receita das empresas vai desacelerar e essas terão que contratar e pagar menos.

"A correção de qualquer bolha é sempre em função de seu tamanho e se o governo não controlar o que está acontecendo, essa correção pode ser muito danosa", conclui.

*Matéria publicada originalmente no Brasil Econômico