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Brasil Maior fará BNDES aumentar desembolsos

por Brasil Econômico — publicado 04/08/2011 12h37, última modificação 04/08/2011 12h37
Previsão do banco era reduzir volume de empréstimos para R$ 140 bi este ano. Com pacote, esse total deve subir para R$ 147 bi

Por Rafael Abrantes   

Com o lançamento do Plano Brasil Maior, os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a indústria brasileira serão maiores que o previsto para este ano.

De acordo com o presidente do banco, Luciano Coutinho, o valor total deve chegar a R$ 147 bilhões. Em 2010, o banco concedeu R$ 144 bilhões em empréstimos.

"O BNDES, ao longo do primeiro semestre do ano, teve uma redução de 6% dos desembolsos. Com as medidas, pode ser que a gente supere um pouquinho a marca de 2010", disse Coutinho. Inicialmente, a expectativa era emprestar cerca de R$ 140 bilhões em 2011.

"Mas não podemos prescindir da liderança do setor privado", afirmou Coutinho, nesta quarta-feira , citando a necessidade das empresas triplicarem investimentos em inovação, atualmente em cerca de 0,5% do PIB.

A diferença total se deve principalmente à ampliação da linha de capital de giro do banco, que tinha fundo de R$ 3 bilhões e passará a ter de R$ 10 bilhões, explicou Coutinho, após participar do 4º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que ocorreu em São Paulo.

Um dia após o anúncio de medidas de estímulo à indústria, o BNDES ainda informou que vai disponibilizar uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para fornecedores do segmento de petróleo e gás até 2015. As taxas de juros vão variar de 4,5% ao ano, para inovação, a 11,04%, para capital de giro. Além disso, o acesso para micro, pequenas e médias empresas, que representam 85% dos fornecedores do segmento, será flexibilizado.

A medida vem ao encontro da nova estratégia da Petrobras de não utilizar mais o seu caixa para financiar fornecedores, um volume de recursos que atingia cerca de R$ 1 bilhão por ano.

Esses investimentos eram necessários porque, como outras empresas que atuam no setor no país, a Petrobras tem dificuldade de cumprir um índice mínimo de conteúdo nacional exigido pelo governo nos seus projetos. O apoio BNDES ainda ajuda a liberar o caixa da estatal para os investimentos programados até 2015, de US$ 224,7 bilhões.

Falta acertar

Se parte dos recursos para o Brasil Maior já estão garantidos, ainda falta acertar outros detalhes do pacote. A desoneração da folha de pagamentos para empresas das áreas moveleira, têxtil, calçadista e de software não deve sair antes de 60 dias.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirma que o prazo é necessário para que a Receita ajuste os novos procedimentos de cobrança. Ele ainda descartou a inclusão de novos segmentos no benefício. "Não seria prudente", afirmou, acrescentando que os quatro setores representam 10% de toda folha da indústria manufatureira no país.

Pimentel também destacou que a competição "acirrada" da indústria brasileira com a entrada de produtos importados continuará enquanto o real estiver valorizado frente ao dólar. "É inevitável", disse, mas negou um processo de desindustrialização no país. "Nosso problema é competitividade."

Mercosul

O ministro garantiu ainda que o Brasil defenderá a ampliação de restrições à importação no Mercosul. Ele disse que o governo quer ampliar de 100 para 200 a lista de produtos cuja importação pode ser taxada pela alíquota máxima, de 35%. "Pelos acordos internacionais, só temos 100 produtos sobre os quais podemos aplicar a alíquota máxima", disse o ministro. "Possivelmente, na próxima reunião do Mercosul, a gente aprove a ampliação."

Pimentel explicou ainda que, pelas regras do Mercosul, a ampliação da lista não pode ser feita unilateralmente. A Argentina, por exemplo, trabalha há algum tempo para que o bloco amplie a lista. Mas, segundo ele, a medida deve ter efeito limitado sobre a economia nacional porque a pauta de importações brasileira tem mais de 7,5 mil itens.

Matéria publicada originalmente em Brasil Econômico

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