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Economia

Precaução

Bancos de médio porte se protegem contra crise

por Gabriel Bonis publicado 22/11/2011 15h44, última modificação 22/11/2011 19h04
Apesar de manterem lucros, instituições dificultam empréstimos para evitar falta de recursos enfrentada na crise de 2008
emprestimo

. A renda não gasta pelas famílias, empresas e governos é depositada nestes intermediários, que a redistribuem na forma de empréstimos aos governos, empresas e famílias cujos gastos superam sua renda. Foto: Wilson Dias/ABr

Temendo a piora da crise mundial, os bancos de médio e pequeno porte adotaram uma postura mais conservadora na concessão de empréstimos no terceiro trimestre. O ritmo menor de financiamentos, que coincide com o crescimento da economia brasileira próximo ao zero no mesmo período anunciado pelo Ministério da Fazenda nesta terça-feira 22, deve se manter também na última parte do ano.

A postura mais contida ajudou algumas instituições a controlar os índices de inadimplência. Os atrasos com mais de 90 dias na carteira de crédito do Banrisul chegaram a 2,4% em novembro, 0,1% maior que no trimestre anterior. No Daycoval, houve uma redução de 0,3% no mesmo período.

Contudo, mesmo registrando lucro – o ABC Brasil somou 58,5 milhões de reais e o Banrisul 239 milhões de reais no terceiro trimestre -, os bancos buscam uma proteção contra a perda de liquidez e falta de crédito que os atingiram na crise de três anos atrás.

Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, explica que por não terem acesso a depósitos como as grandes instituições financeiras, o capital dos médios e pequenos bancos é captado no mercado. Um fluxo sujeito a diminuir em momentos de tensão maior.

Algo que ocorreu em 2008, quando bancos médios e pequenos mantinham suas operações com empréstimos no mercado a curto e médio prazo e financiavam os clientes a um limite mais longo. “Quando a crise chegou e o crédito secou, ficaram sem ter como se financiar e pagar suas dívidas.”

Na época, a solução encontrada para sanar os débitos foi a venda das carteiras e até parte das ações dos bancos para instituições maiores. “O problema é que hoje, com o desgaste do Panamericano, a venda de bancos pequenos e suas carteiras pode não ser mais uma válvula de escape efetiva.”

Segundo Almeida, bancos de médio e pequeno porte possuem expressiva participação em empresas menores, no financiamento do consumo de pessoas físicas e no capital de giro de compahias. “No pior cenário, em que alguns bancos deixem de existir pela crise, a concentração do nosso sistema bancário aumentará ainda mais, pois hoje seis grandes bancos controlam o setor.”

Um cenário prejudicial às empresas e ao consumidor, pois encarece o crédito. "Esse mercado [crédito] equivale a um oligopólio concentrado, com poucas empresas atuando. Isso as proporciona um poder para determinar taxas de juros mais altas.”

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