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Economia

As grandes esperanças difíceis de serem concretizadas

por Paulo Yokota — publicado 01/12/2014 06h30
As demoras em mudanças indispensáveis criam uma defasagem entre as aspirações da população e o que lhe é ofertado, aumentando a insatisfação. Os desafios para os que estão no poder tornam-se agudos
Johannes Eisele / AFP
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Em Lujiazui, distrito financeiro de Xangai, pessoas caminham sobre ponte que exibe os números da bolsa local. A economia chinesa segue diferenciada

Ainda que os Estados Unidos venham apresentando um crescimento econômico razoável, adotando uma política monetária que provocou a desvalorização do dólar frente às demais moedas de relevância internacional, isto só não é suficiente para estimular a economia mundial. Todos aguardam que a Comunidade Europeia e o Japão também deem suas contribuições que aparentam ser difíceis e lentas, ainda que procurem ativar suas economias com maior flexibilização das suas ofertas monetárias, sem o mesmo sucesso dos norte-americanos.

Diante das dificuldades dos principais países considerados desenvolvidos, as esperanças acabam recaindo nas economias chamadas emergentes, com destaque atual para a Índia e o México. Além da China, que continua diferenciada apesar de sua pequena desaceleração no crescimento. Algumas outras economias latino-americanas, bem como outras europeias, como a da Polônia e da Irlanda, apesar de suas pequenas dimensões, também contribuem de forma positiva. Outras também podem adquirir estas características.

Sem um quadro em que a economia mundial proporcione ventos a favor em decorrência do comércio exterior em expansão, notadamente nos seus preços, começam a aparecer dificuldades que agigantam as limitações naturais, na Índia e no México, decorrentes das complexidades de suas economias. É evidente que, como a brasileira, poderiam dar uma colaboração mais positiva, mas muitos problemas internos e de gestão acabam reduzindo o seu crescimento, notadamente agora que o governo conta com uma oposição aguerrida.

Notam-se, neste quadro geral, que começam a ser identificadas algumas dificuldades no setor financeiro internacional, na medida em que alguns bancos de expressão mundial estão sendo punidos pelas suas manipulações com as taxas de câmbio e de juros como os relacionados com o Libor. Suas fabulosas receitas decorrentes dos elevados fluxos financeiros internacionais, inclusive especulativos, continuam mantidas, permitindo a expansão de muitos fundos no controle de importantes setores mais dinâmicos da economia mundial. Eles resistem às regulamentações mais razoáveis dos fluxos financeiros.

Fatos importantes também acabam ocorrendo com as baixas expectativas de crescimento mundial. De um lado, o preço do petróleo se apresenta em queda e, se isto beneficia alguns países consumidores, também gera quedas de receitas de países tradicionais no seu fornecimento, potencializado seus problemas políticos internos. Algo parecido ocorre com minérios como o de ferro diante da redução da demanda de metais. Também a nova revolução verde em andamento no mundo faz com que fornecedores tradicionais de produtos agrícolas como o Brasil contem com redução de suas receitas de exportação.

Ao mesmo tempo, as melhorias dos sistemas de comunicação com o crescimento econômico passado tendem a aumentar as reivindicações políticas de novas classes que vieram emergindo nos últimos anos, sem que as autoridades de muitos países tenham condições de atender a todas elas.

As demoras nas mudanças que se tornam indispensáveis, notadamente nas instituições políticas, tendem a criar uma defasagem maior entre o que está sendo aspirado pela população e o que pode ser oferecido, aumentando a insatisfação popular em muitos países. Os desafios para os que estão no poder tornam-se mais agudos.

Quando os cobertores acabam ficando curtos, como no momento, os conflitos entre os diversos segmentos da população, que apresentam necessidades diferenciadas, acabam ficando mais cruciais, sem que a convivência entre os que pensam de formas diferentes seja facilitada. No entanto, comparando-se com os países onde a população já apresenta decréscimos, os emergentes contam com mais jovens ativos, que acabam atraindo investimentos do exterior, que ajudam no seu desenvolvimento.

No caso brasileiro, a sua ampla biodiversidade, bem como os novos potenciais de recursos minerais como na região do Alto Rio Grande, no Atlântico, apresentam potencialidades para a diversificação da economia, que mesmo exigindo os desafios de novas tecnologias, acabam estimulando a economia. Outra característica que pode ser ressaltada é o elevado interesse pela educação, que está sendo reconhecida como um importante mecanismo para a ascensão social.

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