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Economia

Dívida externa

Argentina não consegue acordo e culpa Estados Unidos por “calote”

por Redação — publicado 31/07/2014 12h46
Governo argentino criticou o juiz e o mediador das negociações por supostamente favorecer os fundos especulativos
STAN HONDA / AFP
O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof

Segundo o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, o país ofereceu aos fundos "um ganho de 300%". "Mas não aceitaram porque querem mais e agora", afirmou

Após 13 anos da crise de 2001, a Argentina voltar a entrar em situação de calote. Isso porque acabou na quarta-feira 30 o prazo para que o governo do país fizesse um acordo com os fundos de investimento – chamados de "abutres" em Buenos Aires. Os credores não aceitaram os planos de reestruturação da dívida.

"Tentavam nos impor algo que era ilegal. A intenção era forçar uma situação ilegal. A Argentina está disposta a dialogar, a chegar a um consenso. Vamos buscar uma solução justa, equitativa e legal para 100% de nossos credores", disse o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, depois de dois dias de negociações em Nova York.

Antes mesmo do fim das discussões, a agência de classificação de risco Standard & Poor's decidiu rebaixar a nota de crédito da Argentina, que passou de CCC- para SD (calote seletivo). Essa nota significa que o país está em condição de pagar a dívida, mas não consegue fazê-lo completamente por questões técnicas.

As questões técnicas se referem justamente ao fato de que esses fundos recorreram à Justiça de Nova York para receber o valor integral dos papéis, algo em torno de 1,3 bilhão de dólares. O governo argentino argumenta que não pode pagá-los porque títulos da dívida reestruturada contêm a chamada cláusula Rufo, que, até o fim deste ano, impede acertar com credores um acordo melhor do que o obtido pelos que concordaram com a reestruturação da dívida.

No dia 26 de junho, a Argentina depositou pagamentos no valor de 539 milhões de dólares aos credores da dívida reestruturada, mas o o juiz americano Thomas Griesa, árbitro da disputa, bloqueou o dinheiro depositado em Nova York, vinculando sua liberação ao pagamento dos fundos que não aceitaram o acordo.

A postura da Justiça dos Estados Unidos irritou o governo argentino. “Se existe um juiz que é um agente dos fundos especulativos, que é um mediador (judicial) e um agente deles, de que justiça estão falando? Aqui há uma responsabilidade do Estado, dos Estados Unidos para gerar as condições de respeito irrestrito à soberania dos países”, acusou o chefe de Gabinete da presidência, Jorge Capitanich.

Esta seria a segunda vez que a Argentina tem que suspender o pagamento da dívida externa. Há 13 anos, o governo também declarou a moratória de uma dívida de 100 bilhões de dólares, que representavam 166% do seu PIB. A diferença é que naquela ocasião foi o país que decidiu tomar essa postura.

Apesar de o governo argentino insistir que "não acontecerá nada" por se tratar de situações diferentes, os analistas apontam uma série de consequências negativas para a frágil economia do país no caso de uma moratória. Entre elas, uma desvalorização maior do peso e o aumento da inflação, além da marginalização dos mercados de capitais e da recessão.

*Com informações das agências AFP e Deutsche Welle