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Apostas no futuro

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 06/04/2011 17h35, última modificação 15/04/2011 12h32
A visita de Dilma Rousseff à China precisa ajustar e aprofundar as relações com nosso maior parceiro
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A China de Jintao oferece mais cooperação ao Brasil de Dilma

A visita de Dilma Rousseff à China precisa ajustar e aprofundar as relações com nosso maior parceiro

A terceira viagem de Dilma ao exterior (depois de Argentina e Portugal) e quarto encontro de cúpula depois da posse (contando também a visita de Barack Obama ao Brasil) teve como destino a China. Apropriadamente, pois a agenda incluiu os três países mais importantes para o comércio exterior do Brasil tanto no caso das exportações (China 14%, EUA 10% e Argentina 9%, em 2010) quanto das importações (EUA 15%, China 14% e Argentina 8%). Mais do que acordos comerciais pontuais, porém, estão em jogo a  rearticulação de alianças internacionais e a redefinição de equilíbrios de poder globais.

Em 10 de abril, o hotel Mount Washington, em Bretton Woods, New Hampshire, voltou a reunir alguns dos nomes mais importantes das finanças mundiais, inclusive Paul Volcker, Joseph Stiglitz e Gordon Brown. Na maior parte à custa do poderoso investidor internacional George Soros, que, quando da primeira e mais famosa reunião nesse local, em julho de 1944, ainda era um garoto judeu tentando sobreviver à ocupação nazista da Hungria. A escolha do local mostra nostalgia pelo acordo que permitiu a mais longa fase de estabilidade do capitalismo mundial, de 1945 a 1971, mas nem por isso há chances de um acordo comparável nas próximas décadas.

No fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA tinham uma liderança política e econômica incontestável, com quase 50% do PIB mundial e 85% dos investimentos diretos internacionais. Hoje, os centros de poder econômico se multiplicam e nenhum país tem um peso sequer remotamente semelhante. Os EUA ainda detêm cerca de 20% do PIB mundial, pelo critério de paridade de poder aquisitivo (24% pela taxa de câmbio) e 20% dos investimentos diretos internacionais, mas um quarto do crescimento mundial entre 2000 e 2009 veio da China, hoje com 14% do PIB mundial (9% pela taxa de câmbio). Nos últimos dois anos desse período, a China proporcionou nada menos que 40% do crescimento global e os outros BRICS (agora com o acréscimo oficial do

S de South Africa, África do Sul), 23%, dos quais 3,5% correspondem ao Brasil.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 642, já nas bancas.