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Anatel deve aprovar a compra da Vivo pela Telefónica

por Brasil Econômico — publicado 07/09/2010 16h28, última modificação 07/09/2010 16h28
Compra da Vivo permite à Telefônica seguir tendência do mercado de criar ofertas conjuntas de serviços

Por Fabiana Monte*

O negócio, que deve sair até o final do mês, foi avaliado pela área técnica e pela procuradoria jurídica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ambas emitiram pareceres favoráveis.

Com isso deve ser aprovado, ainda este mês, o pedido de anuência prévia da Telefónica para adquirir a Vivo.

Espera-se que o assunto entre na pauta da reunião do conselho diretor da agência dias 15 ou 16 próximos, pois não haverá reunião durante esta semana.

A expectativa é de os conselheiros aprovarem o negócio sem impor condições. "É uma operação bem simples. Um sócio está deixando a empresa, não está entrando ninguém novo", afirma Marcelo Bechara, procurador-geral da Anatel e que recomendou a aprovação do negócio.

Bechara apontou que será levada em conta a participação da Telefónica na Telecom Itália, que controla a Tim no Brasil. O procurador, porém, não entrou no mérito da questão.

Segundo ele, essa é uma análise a ser feita no ato de concentração da operação. A presença do grupo espanhol no capital da Tim foi aprovada pela agência e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que impuseram algumas condições ao negócio.

Por isso, para alguns especialistas, não haverá empecilho. "Entendo que será uma anuência tranquila, sem grandes problemas", diz Juarez Quadros, ex-ministro das Comunicações e sócio da Orion Consultores Associados.

Há mais um motivo para a aprovação rápida. "A grande pressa da Telefônica e da Vivo não é só por essa operação. É para a entrada da Portugal Telecom na Oi, porque a Oi está precisando de dinheiro", afirma um especialista. "Como foram operações casadas, uma coisa pressiona a outra."

Enquanto isso, o grupo espanhol está desenhando suas primeiras ofertas conjuntas para telefonia fixa e móvel, banda larga e TV por assinatura. Cristiano Zaroni, gerente de consultoria para a América Latina da Frost & Sullivan, estima que esses pacotes chegarão ao mercado no Natal.

Para ele, o novo grupo dará início à estratégia focando sua própria clientela. "As bases podem ser cruzadas; oferecer outros serviços do grupo é prioridade".

No começo, o usuário receberá contas separadas pois, segundo Zaroni, a análise dos dados dos usuários é um processo mais simples do que a integração dos sistemas de cobrança, que pode levar até dois anos.

"A Telefônica vai competir com América Móvil/Telmex, que teve muito sucesso com o Net Combo, mas ainda não combina telefonia móvel às ofertas", diz.

O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, é menos otimista e diz que o lançamento dos primeiros pacotes devem chegar ao mercado só no ano que vem, com foco em São Paulo, onde a Telefônica tem uma rede fixa estabelecida. "No resto do Brasil, vai demorar mais", prevê.

A expectativa de Tude é a primeira oferta Telefônica/Vivo ser ligada à banda larga. O grupo deve lançar pacotes de acesso à web pela rede fixa e móvel.

Para Zaroni, os produtos de TV por assinatura também podem ser bastante estimulados pelo negócio, mas a aprovação do Projeto de Lei da Câmara nº 1116 (ex-PL29) poderia acelerar ainda mais essa tendência.

"Enquanto o motor do crescimento hoje é a banda larga, no médio prazo a TV paga também vai entrar na briga. A Telefônica foi uma das primeiras empresas a testar IPTV no país e tem uma plataforma pronta e de sucesso na Espanha, o Imagenio", lembra Zaroni. "Também é importante ressaltar a estrutura de 330 lojas da Vivo para a Telefônica passar a oferecer os serviços em todo o país".

*Matéria originalmente publicada no Brasil Econômico