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Ainda sobre o Ipea

por Paulo Daniel — publicado 18/02/2011 10h15, última modificação 18/02/2011 10h54
Os boatos sobre a suposta demissão de Márcio Pochmann: pesquisas permitem conhecer melhor a realidade para que, através de políticas públicas, o processo de mudança seja iniciado.

No início da semana ventilou-se a possibilidade de Marcio Pochmann não seguir mais a frente da presidência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que, diga-se de passagem, foi comemorada por alguns veículos de comunicação e seus comentaristas afoitos.

O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), o peemedebista Moreira Franco, chegou a declarar o seguinte: “Se eu quero saber o que a população está achando do SUS, eu não preciso do Ipea, eu contrato o Ibope.” Essa frase, até então não desmentida, reflete a ausência de conhecimento do ministro do que realmente é o IPEA e seu corpo de funcionários e técnicos de planejamento e pesquisa.

Primeiro; é importante entender que as pesquisas não mudam a realidade, permite-nos conhecer melhor, aprofundar, entender, para através de políticas públicas iniciar o processo de mudança, portanto, todo e qualquer tipo de pesquisa deve e merece ser feita, não por um órgão terceirizado, mas sim, pelo Estado que executa as políticas públicas.

Segundo; enquanto em uma universidade a produção do conhecimento é autônoma, no IPEA a proposta é de que a pesquisa esteja articulada ao planejamento da própria política pública, ou seja, todo esforço que está sendo feito está associado a um planejamento estratégico, cuja principal centralidade é permitir ao IPEA a capacidade de atuar nas complexidades do planejamento do Estado brasileiro.

Neste sentido, o IPEA opera em forma de convênio com os ministérios, cada um tem um acordo-cooperação com seu objeto de pesquisa, o tempo que será realizado tal acordo, o recurso envolvido e a transparência necessária que o Estado nos deve conferir, para isso, cada cidadão(ã) pode acessar o site e avaliar os diversos tipos de cooperação realizados ou em realização pelo Instituto.

Portanto, o ministro Moreira Franco ao querer demitir Marcio Pochmann da Presidência do IPEA coloca ou colocou em jogo não necessariamente a transparência do Instituto ou seus afazeres e sua missão, mas a concepção de Estado ou até mesmo de alguns interesses.

Marcio Pochmann, é professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp, como é de conhecimento de alguns, a Unicamp é considerada uma das melhores universidades do país e do mundo, da mesma maneira o Instituto de Economia, que em sua maioria, possui pensadores e professores com um pensamento heterodoxo do processo econômico, o que muito superficialmente quer dizer; o Estado como regulador e impulsionador da economia.

Os críticos afirmam que o IPEA, sob o comando de Pochmann, tornou-se mais ideológico, nesse ponto é importante esclarecer, qualquer ciência e, ainda mais, em se tratando de ciência econômica, não há como não ter lado, não existe neutralidade na ciência.

Ao defender mais Estado, mais gasto público, quer dizer concretamente; defender a Constituição de 1988. É a primeira Constituição que temos no Brasil que estrutura o Estado de bem-estar social, permite estabelecer as chamadas estruturas verticais, no caso da educação, da saúde, do trabalho, da assistência, da previdência.

Principalmente nos últimos 8 anos o Brasil iniciou o seu processo de desenvolvimento econômico social, processo esse que não dá mais para ser retardado, o IPEA vem cumprindo o seu papel de formar, informar, pesquisar e contribuir no planejamento do país que ficou tanto tempo de escanteio por conta da onda neoliberal que varreu o Brasil e a América Latina, como diria o próprio Marcio Pochmann; “ o trabalho segue”.

Por fim, esse episódio é uma pequena e mais uma demonstração aos críticos ou urubólogos(as) de plantão, que Dilma Rousseff tem total e ampla capacidade de conduzir a política e a economia brasileira sem precisar de tutor ou tutores.