Você está aqui: Página Inicial / Economia / A perda de dinamismo da indústria

Economia

Crescimento

A perda de dinamismo da indústria

por Luis Nassif Online — publicado 02/02/2011 10h15, última modificação 03/02/2011 11h39
A indústria cresceu 10,5% em 2010, o mais elevado nível desde 1986. É uma boa notícia, mas reflete o passado. Por Luis Nassif

A indústria cresceu 10,5% em 2010, o mais elevado nível desde 1986. É uma boa notícia, mas reflete o passado
Por Luis Nassif*
A história desse crescimento é simples:
1. Veio a crise de 2008 afetando a economia mundial e o Brasil.
2. O governo brasileiro reagiu rapidamente, com um conjunto de medidas que estimulou o mercado interno, impedindo um aprofundamento da crise. Especialmente medidas de cunho fiscal, reduzindo preços de produtos.
3. Passada a crise, o crescimento compensa a queda anterior. Estava em 100, por exemplo, cai para 90. Quando se volta para 100, mesmo estando no mesmo patamar anterior, as estatísticas registram crescimento. É um exemplo. Foi mais que isso, porque o mercado interno se comportou de forma pujante.
4. Em 2009, o PIB industrial registrou queda de 7,4%. Somando-se os dois anos, a queda de 2009 mais a alta de 2010, é como se o setor tivesse crescido a 1,4% ao ano - resultado razoável levando-se em conta o cataclismo global.
5. Aí se aprecia o real, ele fica gradativamente mais caro. O crescimento do mercado de consumo interno passa a ser paulatinamente suprido por produtos importados. E a produção interna não consegue mais acompanhar o ritmo de crescimento do consumo.
Nos dados divulgados pelo IBGE, ontem, esse quadro é claro.
De março de 2009 a maio de 2010, o IBGE captou um crescimento generalizado da produção – 22% de elevação na média, com destaque para bens de consumo duráveis (46,5%) e bens de capital (29,0%), contemplados com incentivos fiscais.
A partir de junho de 2010 entra-se no segundo tempo, com redução de 1,5% da produção global até dezembro, movimento identificado em todas as categorias de uso: bens intermediários (-0,9%), bens de consumo duráveis (-1,3%), bens de capital (-1,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1,9%).
O IBGE calculou também as séries ajustadas sazonalmente (isto é, isoladas das variações sazonais). Os 3º e 4º trimestre mostraram índices negativos de -0,6% e -0,1%. 4. No dois trimestres anteriores os índices foram positivos, respectivamente de 3,1% no período janeiro-março e de 1,1% em abril-junho. De abril a dezembro a queda geral foi de 2,7%.
Entre as categorias de uso, houve redução ma taxa de crescimento de todas, lideradas por bens de capital (7,2% de crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, contra 21,2% no trimestre anterior). Depois, bens intermediários (de 8,7% para 3,8%), bens de consumo semi e não duráveis (de 4,7% para 1,6%) e bens de consumo duráveis (de 2,4% para 1,5%).
Mesmo assim, há um sentimento de confiança nos meios industriais paulistas – especialmente ne FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) – de que as mudanças ocorridas nos últimos tempos nas regras de política cambial, em breve serão concretizadas.
Até agora, a elevação da taxa Selic pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) não autoriza entusiasmos maiores. Há várias maneiras de conter a demanda. Aumento de taxa Selic serve apenas para apreciar ainda mais o real.
* Matéria originalmente publicada no Blog do Nassif